Como diferenciar mapas mentais de mapas conceituais?

Publicado em 04/09/2020 por Luzia Kikuchi

Ao procurar sobre algumas técnicas de estudo, talvez você já tenha se deparado com os mapas mentais. Ela é uma técnica criada por Tony Buzan, em 1970, que combinam imagens e palavras que vão se ramificando a partir de um conceito principal, para ajudar na compreensão de um conteúdo.

Exemplo da estrutura de um mapa mental (este não usa imagens).
Crédito da imagem: Designed by Freepik

Mas, tem outros que já usam mais cores e figuras (sinceramente, muito bonitas de ser ver) como esta aqui:

Exemplo de um mapa mental sobre conflitos.
Crédito da imagem: Designed by Freepik

E como os mapas mentais podem ajudar no desenvolvimento da aprendizagem?

Segundo um estudo publicado em 2019 por Nuñez Lira, associado a outros pesquisadores do Peru, a principal vantagem dos mapas mentais é estimular diferentes partes funcionais do cérebro, já que cada tipo de código (imagem, palavra, cor, etc.) é estimulado e coordenado por partes específicas do cérebro. Dessa forma, os mapas mentais tornam-se uma ferramenta para estimular esse órgão, permitindo que a sua aprendizagem possa ser estimulada por diferentes codificações de uma mesma informação.

Porém, ele tem uma pequena desvantagem. Pelo fato de ter uma organização mais holística do pensamento, ou seja, quem elabora o mapa não tem a preocupação de tornar esse mapa diretamente compreensível por outra pessoa, pode ter uma limitação em relação à profundidade no significado de cada assunto. Ele é um ótimo recurso para resumir assuntos muito complexos, para ter uma ideia geral e assim focar no que é mais prioritário.

Isso significa também que você pode ser até capaz de entender muitos assuntos associados a um determinado conceito, mas conhece superficialmente cada uma delas. E é nesse quesito que os mapas conceituais ajudam a complementar nesse “déficit” dos mapas mentais.

O que são os mapas conceituais?

Os mapas conceituais, ferramenta criada por Joseph Novak no início da década de 70, possuem uma base de teoria cognitiva de David Ausubel ou a Aprendizagem Significativa. Diferente de Buzan que estava preocupado em unir as ferramentas que estimulem o aprendizado, sem se apoiar necessariamente em uma referência teórica, Novak criou os mapas conceituais como uma ferramenta que ajuda a organizar e compreender a relação entre conceitos, como pressuposto pela Aprendizagem Significativa de Ausubel. Então, podemos dizer que os mapas conceituais estão mais focados no estudo aprofundado de um conteúdo em si, enquanto os mapas mentais em potencializar a sua capacidade de memória e aprendizado.

Além disso, Novak também criou os mapas conceituais para ser uma ferramenta útil de avaliação da aprendizagem, de forma sistemática. Por meio dos mapas conceituais, é possível analisar os diferentes progressos de um estudante, conforme a complexidade de relações entre conceitos que ele consegue realizar. Para uma compreensão mais aprofundada sobre o assunto, leia este estudo.

Por essas características que acabei de descrever, já deu para perceber que mapas mentais e mapas conceituais não são a mesma coisa, certo? Também existem outras técnicas menos conhecidas e similares a essas que é explicado nesse artigo de 2006 de Martin Eppler. Nesse texto fica bem mais fácil compreender as principais diferenças de cada um deles e suas vantagens e desvantagens.

No vídeo dei algumas dicas extras sobre como aprimorar a elaboração de mapas mentais e mapas conceituais.

Conte nos comentários se você sabia dessas diferenças entre os mapas mentais e conceituais e qual técnica você já utilizou.

Desafios matemáticos do Ian Stewart

Publicado em 28/08/2020 por Luzia Kikuchi

Hoje apresento a vocês um livro que está me deixando entretida por meses (isso porque não dou conta de resolver todos os desafios tão rápido assim). Trata-se do “Almanaque das curiosidades matemáticas” de Ian Stewart.

Este autor é britânico, professor da Warwick University e que se tornou mundialmente conhecido pelos livros de divulgação científica relacionado à Matemática. Ele já tem mais de dez livros publicados e traduzidos em vários idiomas.

Eu comprei os primeiros livros do Ian Stewart em 2012, mas foi quando comecei o doutorado que comecei a conhecer outros livros dele. Gosto muito do seu senso de humor e da forma como contas as curiosidades matemáticas.

Um trabalho muito relevante do Ian Stewart é mostrar que a Matemática não é tão “linear” quanto parece nos livros didáticos. Para quem estuda um pouco de História da Matemática, já chegaria a essa constatação, mas a grande maioria dos livros de história são muito técnicos e, provavelmente, de difícil acesso à população em geral (sem contar que, na maioria das vezes, são bem caros). Talvez um livro que consegue apresentar a história com uma narrativa menos técnica é o Rainha das Ciências do Gilberto Garbi, mas ainda assim não deixa de ser um livro facilmente lido por leigos.

Já no caso do Almanaque das Curiosidades Matemáticas, obviamente, há problematizações muito específicas para quem entende matemática, mas outras que são bem simpáticas e que valem como desafio para uma tarde monótona de domingo.

Um desses desafios que eu postei no meu instagram, foi a dos gatos da Sra. Smith. Que usa um pouco de charada e conhecimento matemático. Mais especificamente, de probabilidade, como podem ver a seguir:

Para quem já está acostumado a resolver problemas de probabilidade, não é muito difícil chegar na resposta, já que se trata de um conceito de probabilidade clássica e condicional (sabe aquela história dos “sorteios de uma bolinha”?).

Porém, o que eu achei desafiador nesse problema é encontrar todas as soluções possíveis. Quando você calcula essa probabilidade, chegará a uma equação de segundo grau (sim, aquela que usa a fórmula de Bháskara, que muita gente fala que “não serve para nada” no cotidiano). Porém, para encontrar todas as soluções, é necessária uma certa dose de engenhosidade para obter os resultados.

Felizmente, o autor não é tão “carrasco” assim com o leitor (afinal de contas, trata-se de um livro de divulgação para trazer mais simpatizantes para a área de Matemática) e molda o problema na menor solução possível para essa equação. Porém, na resolução ele não explica como obter as próximas soluções, e foi aí que decidi me aventurar a calcular isso da maneira mais rápida possível.

Para isso, você pode usar uma planilha do Excel e formatar alguns macros (fórmulas) para calcular vários valores ao mesmo tempo. Afinal de contas, a tecnologia veio para facilitar algumas tarefas mecânicas. E é assim que deveríamos aproveitar melhor o uso de Tecnologias na Educação. (Não vou falar sobre esse tópico neste post para não me prolongar e fugir do assunto. Mas, uma hora quero falar sobre o ensino de tecnologias na Educação).

Outra forma é criar gráficos no Geogebra e verificar a intersecção das duas retas que compões este problema. Essa também seria uma forma muito mais inteligente de calcular as soluções, além de trabalhar com Geometria Analítica, por exemplo.

Os dois arquivos com essas alternativas podem ser consultados neste link ou em Materiais Complementares no menu do blog.

Se você quiser conhecer qual é esse desafio, eu apresento neste vídeo e deixei a minha gata, Nala, para fazer a narração da resolução. Espero que gostem!

Para quem quiser conhecer os dois livros que citei neste texto, segue:

Título: Almanaque das Curiosidades Matemáticas
Autor: Ian Stewart
Editora: Zahar
Crédito da imagem: amazon.com.br

Título: Rainha das Ciências
Autor: Gilberto Geraldo Garbi
Editora: Livraria da Física
Crédito da imagem: amazon.com.br

Conte nos comentários se você gosta de desafios matemáticos. Me indique algum que você acha interessante!

Estudar ou trabalhar ouvindo música é realmente eficaz?

Publicado em 21/08/2020 por Luzia Kikuchi

Eu já havia contado neste post que estudar ou trabalhar ouvindo música pode ser uma forma de ajudar na concentração. Pelo menos, para mim, tem sido bastante eficaz no sentido de camuflar ruídos repetitivos e de pessoas conversando, que são duas coisas que me distraem bastante. Mas, cientificamente falando: será que isso é realmente eficaz?

Segundo o estudo feito por Gonzalez e Aiello (2019), respectivamente, pesquisadores da CUNY (City University of New York) e da Universidade de New Jersey, há três correlações principais: complexidade da tarefa, personalidade do sujeito e o tipo de música. Vou explicar o que seria cada um desses itens e, por fim, a correlação encontrada entre eles para constatar se estudar ou trabalhar ouvindo música é efetivo.

  1. Complexidade da tarefa

A primeira coisa que você deve considerar se deve ou não ouvir música para estudar ou trabalhar é a complexidade da tarefa. Por exemplo, se a tarefa que você for executar é algo relativamente novo e você precisa compreender ou aprender mais coisas, pode-se dizer que ela é uma tarefa de alta complexidade. Por outro lado, tarefas que são razoavelmente repetitivas ou que exigem pouco do seu lado cognitivo, podem ser consideradas como de baixa complexidade.

Sabendo dessas duas classificações principais sobre a complexidade da tarefa, vamos analisar o tipo de personalidade dos sujeitos pesquisados.

  1. Personalidade dos sujeitos

Se você é uma pessoa que têm tendência a se entediar facilmente, pode ser considerada como alguém que precisa de estímulos externos para manter-se concentrada em certos tipos de tarefas. Para esses tipos de pessoas, tarefas de baixa complexidade tendem a deixá-las entediadas conforme o tempo. Sendo assim, a música parece ter alguma influência positiva em mantê-la concentrada, evitando que sua mente comece a divagar (vulgo “viajar na maionese”) ou até mesmo evitando a procrastinação.

Por outro lado, em tarefas mais complexas, pessoas que são muito propensas a receber estímulos externos, acabam não tendo muito benefício em sua performance quando escutam música. Isso porque elas acabam prestando mais atenção na música do que na tarefa em si. Nesses casos, não ouvir música parece ser mais positivo em termos de qualidade de execução da tarefa.

Agora, se você é uma pessoa que não sente muita necessidade de estímulos externos, ouvir música parece só trazer benefício de acordo com o tipo de música.

  1. O tipo de música

Os pesquisadores utilizaram no teste apenas músicas instrumentais, pouco conhecidas pelos participantes, e que não contivesse nenhuma letra, ou seja, a parte vocal. Isso serve para evitar que os sujeitos da pesquisa caíssem na “tentação” de cantar junto e, assim, sobrecarregar o lado cognitivo.

Com essas músicas escolhidas, ainda fizeram duas classificações: complexas e simples. As músicas consideradas como complexas são aquelas que possuem mais instrumentos musicais na composição e as mais simples possuem menos “camadas”. Basicamente, para deixar a música mais simples foram retirados os instrumentos de percussão da música mais complexa.

Nesse caso, os sujeitos que tinham menos necessidade de estímulos externos tiveram uma performance melhor quando ouviam músicas mais complexas para executar tarefas mais simples. Curiosamente, os que sentem mais necessidade de estímulos externos tiveram uma performance contrária.

Qual o veredito?

Obviamente, essa pesquisa apenas dá apenas indícios e não é totalmente conclusiva, pois a personalidade das pessoas são muito mais complexas do que uma simples propensão a receber estímulos externos ou não. Além disso, a classificação de tarefas e músicas também tem suas nuances sendo algo muito subjetivo.

Porém, o que eles quiseram mostrar com o estudo é de chamar a atenção tanto de educadores quanto de empregadores para que deixem aberta a opção de ouvir música ou não para uma melhor performance nas tarefas.

Por isso, o que se pode concluir de forma geral é que ouvir música afeta a performance de tarefas de alta complexidade negativamente independentemente do tipo de personalidade e do tipo de música.

Por outro lado, para tarefas simples, o tipo de resultado pode variar conforme a personalidade e o tipo de música. Para pessoas que necessitam de estímulos externos, músicas mais simples parecem ser mais efetivas. Já para aqueles que não necessitam de estímulos ou preferem o silêncio, músicas de alta complexidade parecem ser mais efetivas para manter a motivação nesses tipos de tarefas.

Eu posso dizer, da minha parte, que embora tenha preferência por ouvir música para estudar ou trabalhar, dependendo da situação do ambiente, isso depende muito do tipo de tarefa. Portanto, nesse quesito, os resultados do estudo parecem ser condizentes com a minha realidade. Se eu preciso escrever um texto mais elaborado, não consigo fazê-lo ouvindo música, por exemplo. Porém, para tarefas mais mecânicas ou para praticar exercícios, a música me ajuda a manter o foco.

Um exemplo prático que pode ilustrar os achados desse estudo seria o seguinte: se você costuma dirigir, já deve ter se pegado baixando o volume do rádio para procurar um endereço ou mesmo para fazer a baliza (meu caso). Isso é uma reação espontânea do nosso cérebro dizendo que aquela tarefa requer um esforço cognitivo maior. E não tem nenhum problema em fazer isso, pelo menos, segundo os achados da ciência.

Conte nos comentários qual tipo de pessoa que você é e se os resultados desse estudo combinam com você.

No vídeo vocês podem conferir uma “palhinha” da minha performance de “Adele”.

Como evitar as revistas predatórias?

Publicado em 14/08/2020 por Luzia Kikuchi

O post de hoje tem o objetivo de informar sobre essa questão, para evitar que você aceite convites “aparentemente” atraentes para “turbinar” o seu currículo acadêmico.

Bem, primeiro vou explicar o que são essas revistas predatórias. Para isso, vou descrever o seu modus operandi para tentar ilustrar. Obviamente, pode haver alguma leve diferença entre um caso e outro, mas vou relatar a minha experiência.

Essas empresas ou editoras entram em contato ativamente com o autor citando um artigo de congresso ou até mesmo de uma dissertação ou tese recém defendida, e fazem um convite para publicar o seu trabalho em formato de livro ou para ser o capítulo de uma coletânea de outros trabalhos sobre o mesmo tema. A abordagem é bastante convincente, pois elogiam o trabalho, dizem que por ser um material relevante foi previamente “selecionado” pelos editores e por isso te convidam para publicação. Pedem para entrar em contato caso tenha interesse.

Você, inocente, lisonjeado(a) com os elogios (tudo que um aluno de pós-graduação gostaria de receber depois de árduos anos para desenvolver esse trabalho), vê a oportunidade de ter uma publicação (quem não quer ter um livro de sua autoria, não é mesmo?) e resolve responder ao e-mail para saber os passos necessários para a publicação.

Então, o suposto editor diz que “como o seu trabalho já está aprovado” pelo corpo editorial, ele não passará por nenhuma revisão de conteúdo. Informa que por não receber subsídios do governo, devido ao corte de custos, o próprio autor precisa arcar com a despesa de publicação, que gira em torno de 300 a 500 reais. Tal custo inclui apenas a diagramação do livro, sem revisão técnica (gramatical ou ortográfica) e alguns exemplares para divulgação, além do serviço de emissão do DOI* e da indexação do trabalho nos principais buscadores. Esse valor pode até subir um pouco de acordo com o número de exemplares físicos que poderão ser impressos ou para produção de banners de divulgação.

*DOI sigla para Digital Object Identifier (Identificador de Objeto Digital) é um número único produzido para identificar documentos de origem digital. Ele serve para evitar a utilização ou distribuição indevida do conteúdo desse documento e também para que seja facilmente localizado, caso o documento não esteja mais disponível no local onde foi armazenado inicialmente. Algo muito comum na internet.

Quanto ao número de cópias físicas, varia de editora para editora. Algumas prometem alguns exemplares incluso no pacote, para que o autor possa fazer a divulgação, ou dizem que o livro será disponibilizado na Amazon ou livrarias conhecidas do mercado com encomenda sob demanda (há impressão quando o cliente comprar o livro), mas também incentivam a disponibilização do e-book gratuitamente no site da editora… Eles argumentam que é para incentivar a divulgação e que os materiais que estão disponíveis gratuitamente são apenas aqueles que foram custeados com dinheiro público. Porém, isso não é totalmente verdade, pois quando questionados sobre alguns autores também estarem disponibilizando gratuitamente o mesmo material das livrarias, dizem que é por opção do autor, para fins de divulgação.

E por que ela passa a ser considerada como uma possível revista predatória? Porque a principal fonte de renda dessas editoras é a taxa cobrada dos autores para diagramar o trabalho e não há nenhum trabalho de validação científica. É praticamente um “drive-thru”: aceite o convite, pague a taxa e estará publicado.

O maior problema disso não é o serviço em si prestado. Não tem nenhum problema se você, autor ou autora, ciente de que está lidando com um serviço de editoração, optar por transformar seu trabalho acadêmico em um livro. Conheço muitas pessoas que fazem isso. Mas, nesse caso, o contrato já está acordado para tal. O problema dessas supostas “editoras” é que elas prometem mais do que realmente podem cumprir. Convencem um autor a publicar afirmando que são revistas ou livros classificados no estrato Qualis, que são indexadas nos buscadores de periódicos de relevância e que publicar o seu trabalho com elas é a garantia de ter o seu trabalho divulgado e reconhecido por mais pessoas.

E para quem está na área acadêmica, sabe o quanto uma publicação é valiosa para conquistar a vaga em um concurso público numa universidade, ou até mesmo para progressão, se já ocupa uma vaga numa instituição. E para ter mais chances de reconhecimento, nada melhor do que ter o seu trabalho divulgado e citado por mais pessoas.

Então, ludibriado de que se trata de uma revista com rigores metodológicos científicos sérios, publica o seu trabalho, que pode até ser relevante, mas, por estar publicado em um periódico que não atende as normas mínimas de rigor científico, acabará perdendo credibilidade. Já pensou em perder todo o seu trabalho científico por conta disso? O problema que, uma vez publicado, você não poderá publicar o mesmo texto em outro periódico. E é por isso que precisamos ficar atentos a isso.

E como fazer para não cair em uma “cilada” dessas? Vou citar as principais:

  1. Não aceite convites para publicação de um trabalho já publicado

Antes de tudo, preciso esclarecer que quando você publica um trabalho em um congresso ou evento similar, ele fica disponível nos anais desse evento. Tecnicamente, o evento detém o direito autoral de publicação do seu trabalho, possuindo inclusive um ISSN próprio. Então, no mínimo, é estranho quando chega um convite de uma pessoa, que você nunca viu na sua vida, por e-mail, dizendo para publicar esse mesmo trabalho sem fazer nenhuma alteração relevante em seu conteúdo. Desconfie. Nenhuma revista científica séria pede esse tipo de conduta. 

A única exceção em relação ao convite é quando um editor te convida a publicar o trabalho sobre alguma temática específica. Mas, nesse caso, eles pedem que seja enviado um texto original e não a republicação do mesmo trabalho já apresentado em algum evento. E ainda assim, o seu trabalho passará por uma revisão editorial. A não ser que você já seja alguém muito renomado na área, o que eu acho pouco provável para quem está lendo sobre este assunto. Além disso, eles não farão o convite para você ter que pagar para publicar, não acha?

Já no caso de dissertações e teses, tecnicamente, você pode torná-lo um livro se você quiser. Mas, aqui, merece um novo cuidado que menciono na dica 2.

  1. Tenha clareza do tipo de contrato que você estabelecerá com a editora

Se um dia você receber um convite para transformar a sua dissertação ou tese em um livro, primeiro verifique as credenciais dessa editora. Quanto tempo ela tem no mercado, qual tipo de publicação ela costuma fazer, quem é a sua equipe editorial, entre outras.

E o mais importante é o contrato que estabelecerá com ela: se você terá que bancar com os custos de diagramação, se existe um revisor de texto, como funcionará a cessão de direitos autorais, como será a divulgação do material (se será gratuito ou pago) e como será o contrato da porcentagem que receberá pelas vendas, quando houver. Lembre-se que, se não houver vendas, provavelmente, você não receberá nenhuma comissão. Então avalie se isso realmente vale a pena.

E para verificar a credibilidade da equipe editorial, passamos para a próxima dica.

  1. Verifique a comissão editorial dessa revista

Antes de tudo, desconfie de revistas que não têm a relação da equipe científica que avalia os trabalhos. Mesmo quando eles indicam o corpo científico, algumas ainda usam indevidamente o nome desses acadêmicos. Portanto, na dúvida, pegue alguns nomes e tente acessar o currículo Lattes desses pesquisadores para verificar se eles indicam que fazem parte dessa revista na sessão “Membro de corpo editorial”.

Participar como revisor ou editor de um periódico é algo relevante para o currículo. Por isso, na maioria dos casos, se a revista for legítima, os pesquisadores mencionarão que fazem parte dela. A não ser que seja um pesquisador com uma carreira muito consolidada (leia-se muito famoso) ou que pouco atualiza o Lattes. Esta última possibilidade é mais compatível com pesquisadores sêniores que não são muito adeptos das tecnologias. Mas, normalmente, para quem continua ativo na universidade, é muito difícil não atualizar o Lattes. Então observe quanto tempo essa pessoa atua na área e o que vem fazendo nos últimos anos.

  1. Verifique se essa revista já não foi citada numa dessas listas

Esta dica vale principalmente para os periódicos internacionais, pois não existe ainda uma suposta lista com possíveis revistas predatórias brasileiras.

E, para isso, existem dois sites que podem ser consultados: o Beall’s List** ou Preda Qualis. Este último foi desenvolvido em parceria entre a USP, UNESP e UFABC, baseando-se na Beall’s List, que filtrou algumas revistas citadas como possíveis predatórias, mas que constava na DOAJ. O DOAJ normalmente verifica as credenciais dos periódicos antes de indexar em seu acervo, portanto, é mais uma forma de verificar a credibilidade da publicação.

O Beall’s list, apesar de ter sido uma iniciativa muito importante para os pesquisadores, ainda enfrenta muitas controvérsias em relação à metodologia adotada pelo seu criador Jeffrey Beall, professor e bibliotecário da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, para classificá-las como possíveis revistas predatórias. Por isso, alguns dizem para que essa lista seja usada com certa cautela.

**Essa informação sobre o site Beall’s List foi obtida através do perfil do instagram @the_science_etal administrado pela Vanessa de Oliveira e pelo Sebastião Silva Júnior, ambos doutores na área de Ciências Biomédicas. O instagram deles têm diversas dicas relacionadas a área acadêmica de especialização dos autores e também para quem pretende fazer pós-graduação no exterior.

E, por último, é usar o famoso provérbio: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Publicar um artigo científico em uma revista séria, que tenha relevância científica não é tão rápida e simples. A revisão por pares garante a idoneidade e seriedade da pesquisa que foi feita e isso leva tempo. Além disso, revistas prestigiadas costumam receber muitas propostas para publicação, o que também explica o processo não ser tão imediato. Se uma editora não esclarece esses passos ou simplifica muito o seu processo de publicação, desconfie.

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