Dicas de livros que te ajudam a pensar

Publicado em 04/11/2022 por Luzia Kikuchi

Nosso cérebro está acostumado a reconhecer padrões. De acordo com a nossa vivência e experiência do dia a dia, ele devolve sensações, lembranças e de sugestões de como agir em uma determinada situação.

Mas, e quando nos deparamos com situações nunca vistas antes? Mesmo em casos novos, a função dele é devolver alguma informação que lhe seja útil: normalmente, relacionado à sua sobrevivência.

Nesses quatro livros que indico a seguir, três deles abordam um aspecto interessante do funcionamento do nosso cérebro e da nossa capacidade intuitiva em reagir a determinadas situações, o último, é mais para ajudar a criar reflexões. No vídeo, que vai ao ar às 21h, falo um pouquinho do que mais gostei em cada livro.

  1. Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas de Leonard Mlodinow

Eu sou muito suspeita para falar sobre os livros do Mlodinow, pois todos que li achei ótimos. Sua forma de apresentar os conteúdos que poderiam ser bem difíceis, ou até mesmo “maçantes”, são narradas de uma forma leve e divertida. Se você cresceu na década de 90, seriados como o “Mundo de Beakman” tinham uma função muito similar ao que Mlodinow faz por meio de livros.

Neste livro, especificamente, o autor aborda várias situações sobre como o inconsciente trabalha em nossas vidas e o quanto agimos de forma “pré-determinada” de acordo com as nossas experiências passadas. É interessante perceber o quanto nós, seres humanos, agimos de forma intuitiva como um gato que “pula até o teto” só de se deparar com um suposto predador de forma desprevenida rs.

E como se faz para mudar esse padrão? Pensando. Ou melhor: fazendo-se um esforço para analisar uma situação desconhecida. Se os seres humanos possuem um cérebro com uma capacidade de aprendizagem muito acima da média comparado a outros seres, por qual razão não deveríamos fazer um “esforço” para mudar? Se deixamos nos dominar apenas pelos nossos inconscientes, o convívio em sociedade torna-se cada vez mais difícil: passamos a não aceitar as diferenças, a não sermos solidários um com o outro e de tomar as decisões levando em conta apenas a sua realidade.

O intuito deste livro não é apresentar nenhum “macete” ou formas de como lidar com o inconsciente. Na verdade, a reflexão fica por conta do leitor. Você é apresentado aos casos e tenta fazer um paralelo com a sua vida. E, assim, tentar criar um hábito de pensamento. O próximo livro também fala um pouco mais sobre isso.

  1. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios de Charles Duhigg

Este livro também faz uma abordagem bastante similar ao anterior, com a diferença de que o autor optou por trazer exemplos de áreas diversas, inclusive, de como a área do Marketing trabalha com os hábitos das pessoas para conseguir vender mais produtos.

A principal chave de todos os casos é o funcionamento do “gatilho” para a criação do hábito: uma peça fundamental para que você consiga converter, por exemplo, um mau hábito para algo bom ou positivo para a sua vida. Embora não seja uma tarefa fácil, o livro traz diversas pesquisas e estudos que ajudam a amparar a ideia de que é possível criar outra “programação” para certos hábitos.

Aqui no blog, eu também já apresentei algumas formas de como usar esse mesmo sistema para ter foco nos estudos, por exemplo, ou como criar objetivos de longo prazo, que requer muito o autocontrole e disciplina para atingir algo que não seja mais imediato. Isso vale desde ser aprovado em um vestibular concorrido, um concurso público ou até mesmo juntar um dinheiro para sua aposentadoria e afins.

Também falei bastante da importância da rotina nos estudos que é essencial para aprender de verdade e manter um aprendizado por mais tempo. Por fim, também falei de como desenvolver um pensamento mais crítico, a partir de aquisição de conhecimentos prévios. E, uma dessas formas é: lendo 😊. Então, continue nesta lista para conhecer os outros dois livros da lista.

  1. Rápido e devagar: duas formas de pensar de Daniel Kahneman

Embora não seja economista, mas psicólogo, Daniel Kahneman ganhou o prêmio Nobel de Economia pelas contribuições de suas pesquisas para essa respectiva área. E embora seja um livro muito lido pelas pessoas mais ligadas à área de finanças ou administração, acredito que os ensinamentos e casos abordados podem ser aplicados à qualquer situação de nossas vidas.

A grande diferença de abordagem deste livro para os dois anteriores é que o embasamento é estatístico. Ou seja, por meio de números, o autor justifica como os seres humanos tendem a ser enganados pela própria intuição, ao tentar fazer estimativas. Muitos deles, pela simples razão de sobrevivência: de querer obter vantagem mais rápida ou ter o menor prejuízo possível. E é nesses aspectos que este livro também se relaciona com os outros dois anteriores.

Comparado também aos dois anteriores, este livro apresenta seções mais técnicas demonstrando os cálculos para justificar cada caso. Se você não tiver interesse nessas seções, é possível pulá-los sem muito prejuízo na leitura. É uma leitura um pouco mais extensa, mas, se você já tiver um conhecimento prévio de como funciona o nosso cérebro e estiver a par de algumas situações, vai compreender melhor os casos apresentados neste livro. Por isso, eu não recomendei essa sequência à toa. Comece pelo livro de Mlodinow, passe para o livro de Charles Duhigg e, por fim, leia o Kahneman.

E, por último, este livro muito simpático escrito pelo Cortella é também uma forma de exercitar o nosso pensamento.

  1. “Vamos pensar um pouco?” de Mario Sergio Cortella

Todo mundo, se não a maioria das pessoas relacionadas à Educação, já deve ter ouvido uma palestra ou entrevista do Prof. Cortella. Com toda sua experiência e carisma, ele traz assuntos filosóficos com uma leveza e sensibilidade que cria inspiração nas pessoas.

Neste livro, que lembra mais um formato de gibi, inclusive com os personagens da Turma da Mônica, você pode ler cada capítulo de forma desconectada. Pode servir como uma inspiração para um momento da sua vida ou para deixar na cabeceira para ler uma seção antes de dormir. Embora os exemplos sejam muito diretos e simples, é possível que algumas situações apresentadas não sejam tão familiares a você. Mas, o mais interessante é poder ler e continuar pensando a respeito. Ou seja, o exercício do pensamento está no durante e depois da leitura. Um convite para associar ideias e situações vivenciadas no cotidiano e, assim, ajudar a tomar algumas iniciativas ou conclusões.

Recomendo essa leitura para qualquer idade.

Por fim, quero dizer que o ato de ler é um exercício que também precisa virar um hábito. Esses quatro livros sugeridos são aqueles que, depois de muitos anos de leitura e de ter tido contato com outros autores e materiais, indico por trazerem conteúdos essenciais para quem se interessa sobre o assunto relacionado à aprendizagem. Mas, não fique frustrado(a), se o estilo não lhe agradar no começo. Se esta será a sua primeira experiência de leitura desse tipo de material, o mais importante é conhecer os títulos. Experimente. Não gostou, troque. Leia outra coisa até encontrar o seu hábito de leitura. Depois de criada a rotina, comece a se aventurar em outros assuntos. É aquilo que eu falo sempre: conhecimento prévio é essencial e mais importante do que dominar qualquer tipo de assunto.

Inclusive, eu também indico vários outros livros neste link aqui.

Então, comece por aquilo que é mais fácil para você e boa leitura! 😉

Publicado por

Luzia Kikuchi

Uma entusiasta em neurociência, apaixonada por ensino-aprendizagem e uma eterna aprendiz de professora.

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