Como aproveitar melhor as aulas online?

Publicado em 30/10/2020 por Luzia Kikuchi

Já faz um tempo que muitas pessoas têm aderido ao formato de Educação a Distância. Embora o modelo em si tenha sido reinventado várias vezes, de acordo com os recursos que eram disponíveis no momento, variando desde a correspondência (lembro que, na minha infância, havia várias propagandas do Instituto Universal Brasileiro, no meio dos gibis da Turma da Mônica), passando para a TV como o Telecurso 2000 e, com o acesso aos computadores e internet, principalmente à conexão de alta velocidade, até as aulas passaram a ter o modelo online com vídeos síncronos ou assíncronos, com a vantagem complementar de interagir com os estudantes em tempo real.

Antes de tudo, é preciso salientar que, para um bom aproveitamento das aulas na modalidade online, o(a) estudante será o(a) maior responsável pelo aproveitamento do curso e não o contrário. O professor que prepara um conteúdo online, por outro lado, deve procurar formas nas quais os próprios estudantes possam monitorar o progresso de sua aprendizagem. Além disso, o seu papel deve estar centrado em orientar e tirar dúvidas específicas.

Inicio a minha discussão dando atenção a esse ponto, pois, para que as aulas a distância possam ser melhor aproveitadas, ela não pode acontecer no mesmo formato das presenciais. É necessária uma releitura do modelo e adaptação de acordo com a tecnologia adotada. É o mesmo problema que acontece nas aulas presenciais, com a utilização inadequada de aparatos tecnológicos como computadores, tablets, lousas digitais e etc. Dedicarei outro post somente sobre a utilização desses aparatos. Hoje, vou dar dicas de como aproveitar melhor as aulas online na visão de estudante.

Existem diversas plataformas do tipo MOOC – Massive Open Online Course ou “Curso Online Aberto e Massivo” – que disponibilizam cursos de diversos lugares do mundo para que seja acessível a qualquer pessoa que esteja interessada em acessá-la. São exemplos delas o CourseraUdemyDomestika entre outros. Já o AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) tem como principal diferença com o MOOC por ser um ambiente com acesso restrito a um determinado público*. Exemplos populares de AVA seriam o Moodle e o Classroom. Algumas instituições muitas vezes optam por desenvolver a sua própria plataforma da rede de ensino como a Blackboard da Kroton e o PDA da Rede Pitágoras. Por isso, poderia se dizer que o MOOC seria a evolução do AVA para auxiliar no gerenciamento de aulas e tarefas, pois ele permite um acesso mais democrático do conhecimento à população.

* Para quem quiser ler mais a respeito sobre AVA e MOOCs, encontrei um e-book muito interessante escrito pelos professores Sílvio Carvalho Neto e Noemia Lopes Toledo chamado “Sistemas de Informação Online para disseminação do ensino e pesquisa: Ambientes Virtuais de Aprendizagem e MOOCS”, que também está disponível gratuitamente no site da pós-graduação da Uni-FACEF.

Então, sabendo dessas variadas opções de plataformas de aprendizagem disponíveis na internet, falta saber como aproveitar melhor essas aulas. Algumas dessas dicas podem servir também para aulas presenciais, mas, a dica 5, em particular, torna as aulas online mais vantajosas do que as presenciais.

Dica 1: Faça anotações de forma efetiva

Como já falei na dica 2 deste post, fazer as anotações literais da forma como o professor está falando não é eficaz. Da mesma forma como não é produtivo copiar todo o conteúdo da lousa nas aulas presenciais. O ideal é anotar as ideias chave da aula e depois tentar organizar ativamente as informações com as suas próprias palavras.

Um tipo de layout que ajuda a fazer anotações de forma efetiva é o Método Cornell, que se popularizou entre os alunos da Universidade de Cornell nos Estados Unidos. Basicamente, a configuração da página é dividida em três blocos: palavras-chave, anotações e resumo. Assim, o seu desafio é tentar organizar as informações dentro da limitação de cada bloco. Eu criei dois modelos: um simples e outro colorido, para que você possa baixar para imprimir e escrever à mão ou usar o arquivo digital em um aplicativo como o Squid, para escrever no tablet. Outro ponto importante: dê preferência para fazer anotações manuscritas em vez de digitar no computador. Em outro post vou me focar a explicar o motivo das anotações manuscritas serem mais eficazes para aprendizagem do que a digitação pelo computador.

E não é porque as aulas são digitais que você deve parar de fazer anotações importantes. Obviamente, é importante prestar atenção no que o professor fala, mas, se a aula for assíncrona (ou seja, gravada), você tem a opção de pausar o vídeo nos momentos que achar importante revisar algum ponto ou para anotar. Isso é uma forma ativa de aprendizagem. Você pode ler também este estudo que fala sobre o assunto.

Dica 2: Tenha em mente o que espera da aula

Para colocar em prática essa dica, você deve criar algumas perguntas iniciais antes de começar a assistir a aula online. O que o título sugere? A descrição da aula te prepara para algumas informações prévias sobre o que vai encontrar nesse conteúdo? Ao final da aula, você teve suas perguntas respondidas? Suas perguntas prévias estavam de acordo com a expectativa em relação à aula? Isso te ajudará a ser mais proativo(a) para determinar se o conteúdo realmente ajudará no seu aprendizado.

Essa técnica está ligada a ideia de testar a si mesmo, que é um dos métodos mais efetivos de aprendizagem citada nas pesquisas de John Dunlosky e outros, como já falei em posts anteriores.

Dica 3: Concentre-se para fazer a aula online

Um dos principais problemas de acompanhar as aulas online é a interferência de notificações dos dispositivos que se usa. Portanto, se você usa o computador, tente não cair na tentação de abrir uma aba no navegador e procurar outra informação. E faça o mesmo no celular: tente configurá-lo para que as notificações sejam temporariamente desativadas durante o período de aula. Também já falei, neste blog, sobre o método para manter o foco durante as suas atividades.

Além disso, divida suas horas para cada tipo de atividade, pois só o fato de ter a sua casa/escritório/escola no mesmo lugar pode dar a sensação de que você não tem horas para descanso. Também use a função do seu celular para desligar as notificações após um determinado horário. 

Dica 4: Durma bem

Há um mito de que aquele estudante que passa a noite em claro estudando é o que terá bons resultados advindos do seu esforço contínuo em estudar. Porém, isso é um equívoco. Pelo menos, foi o que apontou o estudo feito por pesquisadores franceses na área de Psicologia e Cognição.

Nesse estudo, os pesquisadores estavam interessados em medir o tempo necessário para aprendizagem de um vocabulário novo, em outro idioma, entre estudantes universitários na faixa dos 18 aos 32 anos de idade. Para isso, eles separaram em dois grupos: o primeiro grupo que aprende o vocabulário novo na parte da manhã e depois de passar 12h acordado, faz uma revisão do mesmo conteúdo. Já o segundo grupo, fez a primeira aula na parte da noite e, depois de 12h, incluindo uma noite de sono, pela parte da manhã, revisava o que aprendera na noite anterior. Esse processo foi repetido até que houvesse a completa aprendizagem desse vocabulário proposto pelos pesquisadores. Depois disso, havia o interesse de verificar qual dos grupos reteria essa aprendizagem por mais tempo, aplicando um teste depois de uma semana e depois de seis meses.

Segundo os resultados, o grupo que dormiu logo depois de uma sessão de aprendizagem conseguiu aprender mais rápido e reteve as informações por mais tempo do que o grupo que passou acordado. Isso mostra que as atividades feitas ao longo do dia acabavam interferindo na capacidade de memória para aprender coisas novas. Além disso, uma boa noite de sono se mostrou como uma forma de aumentar a capacidade de memorização do seu cérebro a longo prazo.

Por isso, além de manter um ritmo regular de estudos, pouco, mas constante, preze pela qualidade do seu sono. Caso contrário, você estará jogando fora todo o seu tempo de estudo.

Dica 5: regule o horário da sua aula de acordo com o seu relógio biológico

E esta é a dica que eu mencionei sobre a maior vantagem das aulas a distância assíncronas: você pode decidir o melhor horário para o seu estudo. 

Um estudo preliminar feito por neurocientistas estadunidenses e britânicos demonstrou que o tipo do seu relógio biológico pode interferir diretamente na sua capacidade de aprendizagem. Ou seja, se você é uma pessoa diurna, a sua capacidade ótima estará entre às 11h da manhã e 5h da tarde. Já as pessoas mais noturnas começam por volta das 4h da tarde e vai até umas 10h da noite. Houve também uma faixa intermediária entre diurno e noturno que se adapta entre 1h da tarde até 7h da noite.

Nem sempre nas aulas presenciais e também nas aulas online síncronas podemos escolher o horário que se adapte mais ao nosso relógio biológico. Mas, se você tem essa opção, é mais uma vantagem que a EaD proporciona em relação às aulas presenciais.

E, no vídeo, eu dou uma dica extra (6ª dica) que também é importante para aproveitar melhor as aulas online.

Espero que tenha gostado dessas dicas e me conte nos comentários se você já testou alguma delas!