Como evitar erros na hora de escolher o curso da faculdade?

Publicado em 02/04/2021 por Luzia Kikuchi

Atualizado em 09/04/2021 por Luzia Kikuchi

A partir da semana que vem*, o MEC (Ministério da Educação) iniciará as inscrições para as vagas nas universidades públicas pelo SISU (Sistema de Seleção Unificada).

*segundo o cronograma disponível no site do MEC, começa a partir do dia 06/04/2021 e vai ate 09/04/2021 – confira no site do MEC para verificar se não houve alteração.

O que é o SISU?

O SISU é um sistema informatizado criado pelo MEC que permite, a todos que participaram da versão mais atual do ENEM, escolher as vagas ofertadas em diferentes cursos de universidades públicas espalhadas pelo Brasil.

Para isso, o sistema classifica os candidatos de acordo com a nota obtida no ENEM e apresenta as notas mínimas/médias necessárias para ingresso em um determinado curso e universidade. No momento da inscrição, ele apresentará na tela os requisitos e, caso o candidato(a) não obtiver a nota suficiente para concorrer àquele curso, uma mensagem será exibida na tela. É possível escolher até 2 opções de cursos e que podem ser modificadas durante o período das inscrições.

Para outras dúvidas frequentes, consulte diretamente no site do MEC.

E o que é o ProUni?

ProUni (Programa Universidade para Todos) é um sistema também do MEC que permite concorrer às bolsas de estudo para estudar em faculdades e universidades privadas pelo país. O 1º período de inscrições para o ProUni deste ano já se encerrou (08 a 12 de março), mas quem já tiver inscrito no ProUni também pode inscrever-se simultaneamente no SISU.

Porém, para poder se inscrever no ProUni, existem critérios específicos que podem ser consultados no site do MEC.

E, para quem está nesse momento crucial de escolher o curso, é natural que surjam indecisões e muitas dúvidas de escolher a carreira do ensino superior a seguir. Ainda mais quando se pode ter acesso às vagas de universidades espalhadas por todo o Brasil! 

Na minha época, a localização da universidade (de preferência a mais próxima de casa) já era um critério de escolha para se inscrever no vestibular. Fora os custos de inscrição, não muito baratos, que acabavam limitando o número de concursos a prestar. Hoje, com esse sistema unificado do ENEM, os/as estudantes podem ter mais escolhas com um investimento único na taxa de inscrição. Já é um avanço muito grande para o acesso às universidades e também de diversificar a origem dos estudantes dentro das instituições de ensino superior. Portanto, vejo o SISU como uma conquista muito positiva para a democratização do acesso ao ensino superior. Sem contar a implementação sucessiva de política de ações afirmativas que eram inexistentes na época.

Embora muitas mudanças no processo de ingresso tenham surgido, uma coisa ainda continua sendo uma grande dúvida de estudantes: a escolha do curso mais adequado para prosseguir os seus estudos no ensino superior.

Então, eu tentei reunir neste post, de acordo com a minha experiência e de relatos de amigos e pessoas que já passaram por essa fase, cinco erros mais cometidos pelos estudantes na hora de escolher a carreira do vestibular. Parte delas pode ser aplicado também à escolha do curso no ProUni.

  1. Escolher o curso pela menor nota de corte

Independente de qual forma de ingresso, SISU ou vestibular próprio da instituição, as vagas nas universidades públicas possuem uma nota mínima para aprovação que se chama “nota de corte”.

Se você tiver indeciso(a) ou com medo de não obter a aprovação e escolhe um curso levando em conta apenas a nota de corte, sinto lhe informar, mas você corre um sério risco de se arrepender futuramente. 

Por quê? 

Lembre-se que na universidade você se formará para ser um profissional ou especialista de uma área. Para isso, deverá estudar muitas coisas de forma aprofundada; coisa que não acontece quando está na escola básica. Por exemplo, se você não gosta de Exatas, e escolhe o curso menos concorrido dessa área só porque estava mais “fácil” de ingressar, a chance de desistir do curso ou não conseguir se formar é muito grande, pois não terá motivação suficiente para continuar a estudar um assunto que não gosta.

Claro que existem casos raros de uma pessoa acabar gostando da área depois de ingressar e se tornar um(a) ótimo(a) profissional. Mas, são exceções. Portanto, sempre pense bem no seu perfil vocacional antes de qualquer escolha.

  1. Escolher o curso porque seus pais querem

Este item é polêmico. Mas, eu preciso dar o meu ponto de vista. Lembre-se que quem vai fazer o curso é você e não seus pais. Imagine ficar quatro a cinco anos da sua vida, até mais dependendo do curso, estudando algo que não gosta. Se tiver a felicidade de poder escolher o mesmo curso que seus pais esperam de você, ótimo. Mas, como lidar quando você realmente não tem vocação para aquele curso?

Imagine que você seja uma pessoa que não tem muita afinidade para ter contato com as pessoas e vai estudar Medicina ou Enfermagem, por exemplo, só porque era o desejo de seus responsáveis. No melhor dos casos, você pode até se tornar um(a) médico(a), mas é bem provável que será um(a) profissional frustrado(a). Sabe aqueles profissionais que trabalham de má vontade? Pois é, você quer se tornar mais um deles?

  1. Escolher o curso pelo salário

Ok, escolher uma carreira porque ela tem futuro no mercado é uma coisa. Porém, escolher um curso porque ele está pagando bem hoje, também é um grande erro. Mesmo porque o mercado é muito dinâmico e versátil.

Dependendo de como estiver a economia, ou com o avanço tecnológico, algumas profissões podem sofrer uma baixa requisição. Por isso, é mais importante você se preocupar em ser um(a) profissional multidisciplinar. Por exemplo, você pode se formar como um físico ou matemático, aprender a programar em alguma linguagem de programação, e trabalhar como analista de modelos em uma empresa como o booking.com. Para quem conhece o Nerdcast, tem um dos convidados regulares chamado Caio Gomes, que fez exatamente essa trajetória.

Outro exemplo é: você imaginaria um psicólogo trabalhando fora do consultório?

Pois é, empresas como o Google ou Facebook também contratam pesquisadores na área de Psicologia para estudar comportamentos em redes sociais, por exemplo. É o caso do André Souza, também participante regular do Nerdcast. Ele ficou conhecido também por ter sido entrevistado pelo programa Fantástico, da Globo, como podem conferir nesta matéria, com uma história de vida muito interessante. Inclusive, o André também é outro exemplo de formação multidisciplinar: ele fez graduação na área de Letras, mas se especializou em Psicologia Cognitiva na pós-graduação.

Se vocês quiserem saber um pouco sobre a experiência desses dois profissionais, recomendo três episódios do nerdcast:

Nerdcast 475: Profissão Cientista

Nerdcast 732: Morando fora do Brasil

Nerdcast 634: Cientistas em empresas de tecnologia (inserido em 09/04/2021)

Resumindo, a sua formação não necessariamente é a que definirá o seu emprego no futuro. Dependendo do seu conhecimento e experiência, você poderá atuar em diferentes profissões que, talvez, nem existam ainda hoje, mas poderá existir no futuro. Eu mesma sou licenciada em matemática, mas trabalhei na área de Produto e Marketing por um tempo em uma empresa de tecnologia educacional.

Claro que é importante ressaltar que, para certas profissões, há um conhecimento técnico mínimo necessário para exercê-la. Por exemplo, um advogado só pode atuar como tal, se cursar a faculdade de Direito e passar no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Um professor de ensino básico (ensino fundamental e médio) só pode dar aula, se tiver um diploma de Licenciatura* com a habilitação para a disciplina que irá lecionar. 

* Artigo 62 na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação básica que diz o seguinte:

Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (BRASIL, 1996)

Vale ressaltar que existe uma Medida Provisória de nº 746 (22 de setembro de 2016) que se transformou na Lei Ordinária Nº 13.415 (16 de fevereiro de 2017) cujo Art. 61, inciso IV, estabelece o seguinte:

Art. 61. IV – profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação para atender o disposto no inciso V do caput do art. 36. (BRASIL, 2017)

No caso, o art. 36 dispõe o seguinte:

Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos específicos, a serem definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas seguintes áreas de conhecimento ou de atuação profissional: I – linguagens; II – matemática; III – ciências da natureza; IV – ciências humanas; e V – formação técnica e profissional. (BRASIL, 2017)

Ou seja, um profissional reconhecido como de notório saber em uma área técnica, pode dar aula no Ensino Médio APENAS para disciplinas de formação técnica e profissional. Pela LDB de 1996, apenas os profissionais com diploma de Pedagogia e Licenciatura poderiam atuar no Ensino Básico, pois não havia a obrigatoriedade da formação técnica e profissional contemplada no currículo. Com a Lei 13.415, na qual essa formação técnica passou a ser incluída como parte do conteúdo obrigatório, foi aberta uma exceção para a contratação de profissionais com formação de área técnica para lecionar no Ensino Básico. Por exemplo, um Bacharel em Ciências da Computação poderia dar área de Linguagem de Programação assim como um Arquiteto poderia dar aula de Linguagem Arquitetônica.

Portanto, não confunda! Ainda é OBRIGATÓRIO o diploma de Licenciatura para lecionar nas outras áreas básicas do saber. Essa lei não extinguiu essa obrigatoriedade!

  1. Escolher o curso “do momento”

Este item é quase parecido com o anterior, mas com a diferença de que o curso pode estar em alta por conta de um aquecimento momentâneo do mercado de trabalho. Muito dessa especulação de profissões é divulgada pelas mídias sociais, por isso, é preciso ter bastante cuidado na hora de tomar uma decisão.

Embora todo conhecimento seja válido, escolher cursos com habilitações muito específicas pode te deixar defasado no mercado e te dificultar a encontrar um emprego, caso essa profissão seja substituída ou possa ser preenchida por outros profissionais com formações em áreas mais abrangentes.

Por exemplo, quando eu cursava o Ensino Médio, no início dos anos 2000, um curso da moda era de webdesign. Mas, todos nós sabemos o quanto o mercado de internet e tecnologia muda muito rápido. Sendo assim, um profissional que se habilitou só para fazer webdesign, com ferramentas disponíveis naquela época, rapidamente ficará defasado. Nesse caso, melhor seria fazer um curso de formação mais geral de tecnologia (por exemplo, Ciência da Computação) e, depois, se especializar na área de Design ou UX (User Exeperience) ou experiência de usuário, caso esse seja o seu interesse.

  1. Escolher o curso sem pensar nas perspectivas de futuro

Aqui vocês devem estar pensando:

“Ué, Luzia? Você acabou de dizer que não devo escolher o curso pelo dinheiro e nem pelo que está em alta. Assim você me enlouquece!”.

Calma, vou explicar! rs Neste caso, eu quero dizer que, independente do curso que escolher, você precisa se avaliar e pensar COMO e O QUE gostaria de fazer com essa formação.

É claro que, com pouco mais de 17 anos de idade, essa é uma decisão difícil. Mas, algumas profissões já pressupõem alguns passos para poder atuar no mercado. Por exemplo, se você decidir cursar uma faculdade de Odontologia, para atuar como dentista, precisará adquirir equipamentos, arranjar um local para ser o seu consultório e isso demanda dinheiro.

Se você não tiver um planejamento de como juntar esse dinheiro para começar a sua carreira depois de formado, pode cair numa grande ilusão de futuro próspero assim que terminar o curso. Há também a opção de trabalhar para o serviço público, mas você precisa estar ciente e estar disposto(a) a trabalhar nesse setor. E será que esse curso, com os conhecimentos adquiridos nele, vai te permitir atuar em outras áreas similares? Tente pesquisar a respeito.

Outro exemplo que vai para o lado oposto deste último exemplo é quando o curso te dá uma formação muito generalista. Por exemplo, um economista pode dividir espaço do mercado de trabalho com engenheiros e administradores, dependendo do tipo de vaga e empresa. Obviamente, cada um desses profissionais têm um tipo de campo de atuação como o acadêmico, social, finanças, estratégia de empresas e etc. Dependendo da atuação que você decidir seguir, talvez precise fazer uma especialização correspondente, para ter mais competitividade no mercado de trabalho. Então meu conselho é que sempre pesquise quais são os tipos de trabalho existentes para o profissional que você gostaria de ser no futuro.

Mas, vale ressaltar que, muitas vezes a oportunidade de emprego surge independente da sua formação. Então sempre esteja aberto(a) para aprender. O aprendizado não ocorre apenas na faculdade e tampouco termina nela. É um processo contínuo em sua vida.

Conte aqui nos comentários, quais outras dúvidas você tem em relação à escolha de carreira no vestibular!

Também faço toda essa explicação em formato de vídeo, para aqueles que preferirem. O vídeo estará disponível a partir das 21h.

Publicado por Luzia Kikuchi

Adora aprender sobre o funcionamento do cérebro para que possa entender certos tipos de comportamentos dos seres humanos e assim poder ajudar a si mesma e também a outras pessoas.

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