Como vender e trocar livros sem sair de casa

E saiba na hora quanto receberá por eles

Publicado em 12/06/2020 por Luzia Kikuchi

Quem gosta de livros tem uma “mania” de comprar tudo que vê pela frente (principalmente quando tem uma palavra “promoção” junta), sem ter a certeza se vai ler tudo que adquiriu.

Digo isso por experiência própria. Já comprei inúmeros títulos em feiras, promoções de livrarias, sem muito critério, apenas porque achei o título ou o resumo interessante. Agora, pergunte para mim quantos livros desses eu realmente li de fato? Poucos.

Não me entendam mal, pois eu não sou uma consumidora desvairada! rs Eu gosto de ler. Mas, quando se está na fase de conciliar estudos e trabalho, as leituras acabam tendo prioridade ao que é relacionado a essas áreas. Então tudo que eu havia comprado que não fosse relacionado aos meus estudos ou ao trabalho foram ficando de lado e esquecidos em uma prateleira da estante de casa.

“Ah, mas por que você não lia no caminho para o trabalho?” 

Essa seria uma opção, pois eu andava bastante de transporte público, mas o problema é que tenho uma condição de saúde chamada motion sickness que significa “enjôo de movimento” ou “mal do movimento”. 

Para se ter uma ideia, eu fico enjoada só de ver movimentação de jogos em primeira pessoa (estilo Call of Duty ou Super Mario 64) ou até mesmo ao movimentar o mapa em 3D do Google Maps. Depois descobri uma forma razoável de driblar esse problema, que contarei em outro post.

Com o tempo, precisei desocupar algumas coisas para ter mais espaço em casa e, assim, resolvi organizar todos os meus livros por assunto. Nessa arrumação, percebi que havia títulos que havia comprado e nem me lembrava mais dele. Ao folhear as páginas, notei que não tinha mais interesse naquele assunto e tampouco me serviria de referência futura. Mas, os livros estavam novos em folha. Então pensei se não haveria uma forma de vendê-los para recuperar parte do investimento e comprar outros.

Entrei em contato com sebos da região (na cidade de São Paulo) e a maioria me respondeu a mesma coisa: “não compramos livros, já temos bastante” ou “só aceitaremos se for doação”. 

Essa última frase me deixou estarrecida. Como assim “doação”? Se eles não fossem lucrar com a venda, como no caso de instituições de caridade ou de bibliotecas, até entenderia, mas muitas vezes esses livros são revendidos por um preço não muito barato, principalmente, se o livro está em bom estado. E não pensem vocês que eles me responderam depois de avaliar o material. Sequer olharam para o livro.

Não me dando por vencida, resolvi procurar por sebos online que comprassem livros ou aceitassem trocas por outros títulos. Nessa busca, encontrei o Container Cultura (já digo de antemão que não é “jabá”, tá? Não estou recebendo para escrever esta recomendação).

O sebo cuja sede fica situada na simpática cidade de Pomerode* em Santa Catarina faz compras de livros usados e seminovos trocando por créditos para compra no próprio site ou receber parte do valor em dinheiro. Nesta última opção, você pode realizar o saque para a sua conta corrente.

* Esta cidade fica à 30 km de distância de Blumenau e a 175 km da capital catarinense. Para quem gosta de cervejas artesanais, é a mesma cidade onde fica a fábrica da Cervejaria Schornstein.

E a grande vantagem deste sebo é que você pode avaliar o seu livro de forma online, sem compromisso, e ter uma estimativa de quanto vai receber em valor de crédito do site ou parte dele em dinheiro. Assim, você pode decidir se vale a pena ou não enviar o seu lote. E o frete para envio é grátis!

Para isso, é necessário passar pelos seguintes passos:

  1. Separe um lote de no mínimo 10 livros e máximo 40 (pode variar dependendo do local onde você mora).
  2. Os seus livros precisam estar em bom estado. Se tiver rasgos, rabiscados nas páginas ou estiver muito manchado por líquidos, eles podem ser rejeitados na conferência física.
  3. Entrar no site e abrir um cadastro;
  4. No avaliador online você registra o ISBN do livro.
  5. No fim do processamento, você verá o valor estimado que receberá. Preste atenção se alguns dos títulos da lista foram rejeitados e separe do seu lote para não enviar por engano.
  6. Concordando com o valor, prossiga e envie a sua proposta.
  7. Você receberá o código de postagem nos Correios por e-mail.

E a grande vantagem deste sebo é que você pode avaliar o seu livro de forma online, sem compromisso, e ter uma estimativa de quanto vai receber em valor de crédito do site ou parte dele em dinheiro. Assim, você pode decidir se vale a pena ou não enviar o seu lote. E o frete para envio é grátis!

Veja o vídeo com o passo a passo:

A dica que dou para você decidir o melhor momento para enviar o lote é verificar se o site está com títulos que esteja procurando. Se tiver um número razoável do seu interesse, vale a pena mandar. Claro que é possível mandar e aguardar por novos títulos, já que os créditos nunca expiram. A única desvantagem é que, por ser um sebo, eles têm uma quantidade limitada de cada obra (quando não é um exemplar único). Por isso, os títulos mais procurados costumam esgotar mais rápido. Então é preciso ficar alerta.

Como foi a minha experiência?

Eu vendi 10 dos meus livros em 2018 e optei por trocar tudo em créditos do site. Fiz as contas e vi que valia mais a pena na época do que receber parte em dinheiro. Consegui obras pela metade do preço das livrarias. Algumas até mais da metade. 

No caso das compras, você tem 50% de desconto no frete, se usar apenas os créditos para aquisição dos livros e 100% em compras em dinheiro a partir de um certo valor*. E eles são bastante cuidadosos, pois os livros passam por uma higienização e vêm encapados com um plástico, como nos livros novos das livrarias.

* Valor consultado em junho de 2020: R$ 99,00.

E quanto a consistência da qualidade também fiquei muito satisfeita. Quando os livros estão marcados como novos é porque realmente são. Páginas sem manchas, muito bem conservados. Mesmo os seminovos vêm em um ótimo estado. No máximo um desgaste natural do tempo com um leve amarelado nas laterais das páginas que ficam expostas à luz e à poeira, mas por dentro estão impecáveis.

Veja a foto de um dos livros que comprei de lá:

Muitos dizem que ter livros em casa é importante para o enriquecimento cultural e também para estimular as crianças a lerem desde cedo. Porém, acredito que seja mais importante lê-los ou, pelo menos, ter a intenção em algum momento. Se ele não faz mais sentido para você, por que não passar para frente? Ainda mais quando vivemos em espaços cada vez menores nos quais o preço do metro quadrado está cada vez mais caro nas cidades grandes!

Embora eu seja ainda muito adepta do livro físico, por economia de espaço, tenho tentado migrar alguns livros para o armazenamento digital (e-books) como o Kindle da Amazon. Até que estou me adaptando bem, mas nada se compara a emoção de abrir um livro e sentir o cheiro do papel e tinta e folhear cada página em suas mãos…

Conte aqui nos comentários se você conhece outros sebos online ou outras formas econômicas de adquirir livros!

Por onde começar a estudar matemática?

Publicado em 05/06/2020 por Luzia Kikuchi

O título deste post revela uma das perguntas que recebi bastante ao longo da minha carreira como professora, mas também fiquei surpresa que aquilo não se limitava apenas aos meus estudantes. Notei isso quando vi muitas pessoas perguntando isso no Quora.

No entanto, fiquei um tanto intrigada quando vi que muitos respondem a essa pergunta resumindo o aprendizado de matemática a ter “foco e determinação”. Ora, se isso fosse verdade, todas as pessoas que tiverem essas características deveriam ser brilhantes em matemática. E por que você não precisaria dessas características para estudar outras disciplinas? Não vou me estender a esse assunto “filosófico”, mas tenho algumas explicações que podem ajudar a entender por que é difícil aprender matemática para muita gente e por onde começar de fato a estudar para essa disciplina.

A última evolução do nosso cérebro

Os estudos científicos evidenciam que a diferença entre os primatas, como chimpanzés, e o cérebro humano aconteceu a partir do desenvolvimento de uma região do cérebro chamado de neocórtex. Embora o neocórtex também exista em outras espécies, além do ser humano, a principal diferença está em seu tamanho. Comparativamente, esse tamanho chega a ser o dobro de um chimpanzé. 

Porém, estudos mais recentes, divulgados na revista estadunidense Science mostraram que a principal diferença entre o cérebro de um chimpanzé com o de um ser humano seria a sua neuroplasticidade*. Isso significa que, no caso dos chimpanzés, o fator genético influencia muito mais em sua “inteligência” do que nos seres humanos. Ou seja, o ser humano tem capacidade para ficar “mais inteligente” de acordo com o meio que conviver e também com novos estímulos.

*neuroplasticidade é a capacidade do cérebro em moldar-se para formar novas conexões para aprender novas funções e habilidades.

O que isso tem a ver com a Matemática? 

O neocórtex é uma região do cérebro responsável por processar habilidades de abstração. Isso significa que é muito mais inato para o ser humano desenvolver habilidades mais concretas ligadas às funções orgânicas e concretas do que pensar de forma abstrata.

E se formos buscar na História da Matemática, podemos ter uma noção de quando começou o raciocínio abstrato.

No Ocidente, os primeiros registros matemáticos que se tem conhecimento são dos egípcios e babilônios, a uns 5.000 anos antes de Cristo (a.C). Um dos registros mais antigos, conhecidos como papiros de Rhindi, consistia em 85 problemas envolvendo contagem de gado e bens. Ou seja, a Matemática nasceu de uma situação prática.

Mas foram com os gregos, principalmente, com o nascimento da escola ou academia de Platão (400 a.C) é que o conceito de abstração e dedução, como é conhecida hoje na Matemática, ganhou força e começou a ser passada para as novas gerações.

Já o conceito de Álgebra, como o conhecemos hoje com símbolos e abreviações, acredita-se que nasceu com Diofanto de Alexandria, 250 anos depois de Cristo (d.C), posteriormente com as ideias do hindu Brahmagupta (628 d.C) que fez uma aproximação do número pi e, por fim, com Al-Khwarizmi (800 d.C) que introduz a sistematização dos símbolos para resolver problemas matemáticos. Inclusive o nome “Álgebra”, parece também ter nascido derivado de uma palavra em árabe (al-jabr) que significa restauração ou “completação”, segundo Boyer (2012). É a partir daí que se começou a desenvolver a representação das ideias algébricas com a utilização de símbolos, sem o uso exclusivo de palavras.

Mas, foi só no século XVI é que os símbolos de soma (+) e subtração (-) foram sistematizados por François Viéte e as letras do alfabeto para representação de incógnitas, como conhecemos hoje, por Descartes por volta de 1637.

E foi com as ideias de Descartes que Newton conseguiu desenvolver as ideias de Cálculo estudado na matemática mais avançada e as respectivas notações utilizadas hoje foram idealizadas por Leibniz no fim do século XVII.

A conclusão que eu quero chegar ao contar toda essa cronologia da História da Matemática é que, enquanto o neocórtex tem aproximadamente 25 milhões de anos, o pensamento matemático começou a “apenas” 5.000 anos atrás e sem contar que a forma abstrata, que é a parte na qual os alunos têm mais dificuldade, iniciou-se há 1.800 anos e consolidando-se como conhecemos hoje há aproximadamente 320 anos! 

Perto do nosso cérebro “ancião” que tem 25 milhões de anos, isso é quase nada. Por isso, é perfeitamente plausível que seja mais fácil comer aquele doce ou aprender algo que possa ser visualizado do que tentar entender a Álgebra, por exemplo.

Sem contar que, particularmente no caso do Brasil, a obrigatoriedade do ensino básico, integral e público, passou a ser regulada com a Constituição de 1934, mas que contemplava apenas o ensino primário (correspondente ao ensino fundamental). E, pasmem! Somente em 2009, com uma Emenda Constitucional que o ensino infantil e médio passou a ser obrigatório. Por isso, não é de se impressionar porque o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) passou a ter um papel importante na vida dos estudantes que querem ingressar no ensino superior a partir de 2010, com a criação do SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Não vou me estender mais nesta questão para não fugir do assunto principal deste post. 

Porém, caro leitor ou leitora, a boa notícia é que, graças a essa neuroplasticidade do cérebro humano, se você estimular corretamente as habilidades necessárias, é possível aprender matemática. É óbvio que o tempo de aprendizagem pode variar de pessoa para pessoa, de acordo com os estímulos que você e os seus ancestrais receberam para tal habilidade. Isso significa que quanto mais contato seus ancestrais tiveram com alguma habilidade é possível que as próximas gerações venham “pré-programadas” com ela. Sem contar que o contexto sociocultural do momento em que vive também torna certos tipos de aprendizagem muito mais propícios do que em outros momentos. Mas, nada te impede de desenvolver a partir de agora e você pode aprender se quiser.

Porém, para estimular o cérebro de forma correta, eu não acredito que seja suficiente apenas ter “foco e determinação”. O ideal é estimular o cérebro de forma eficiente, e para isso, vou dar algumas dicas:

Dica 1: estude por objetivos

A melhor forma de ter um parâmetro por onde começar a estudar matemática é criar objetivos. Isto é: você precisa aprender matemática por qual motivo? Seria para uma prova da escola, universidade, concurso público ou vestibular?

Entenda que, dependendo do seu objetivo, alguns conteúdos serão mais importantes do que outros. Por isso, você precisa começar por esse ponto de partida.

Dica 2: procure por provas anteriores

Seja para qualquer um desses objetivos anteriores que escolher, a forma mais eficiente de estudar é saber quais tipos de exercícios são mais cobrados.

Tendo acesso a essas provas (o que costuma não ser impossível hoje em dia com o Google) você pode se testar e para saber o quanto de conhecimento que tem agora sobre o assunto. Então, de acordo com o resultado, você terá uma noção por onde começar a estudar.

Agora, se você não tem nenhuma prova anterior, mas tem uma ideia do conteúdo que quer se testar, eu criei uma sala de aula virtual no Khan Academy para que você possa escolher os respectivos tópicos para praticar.

Entre pelo link: https://pt.khanacademy.org/join/TFZQK3G5 e acesse gratuitamente com o seu perfil do Google ou do Facebook. Se você quiser, pode também criar um usuário só para acessar a plataforma.

Quando você entrar na plataforma, clique em Cursos na barra lateral esquerda e você verá uma janela igual a esta:

Tela 1: Escolhendo o seu ano.

Depois de inserir o seu ano de estudo, na próxima tela, você deverá escolher os conteúdos que quer revisar (Eu escolhi, a título de exemplo, fundamentos de matemática e pré-álgebra).

Tela 2: Escolhendo o conteúdo.

Então, na próxima tela, você deve escolher um dos cursos que escolheu e clicar no botão “Iniciar”.

Tela 3: Iniciando o curso.

Quando você iniciar o curso, haverá os tópicos na tela e, em alguns deles, terá um botão escrito “Praticar”. É aí que você vai clicar para saber se já domina aquele conteúdo. A própria plataforma da Khan Academy vai te indicar um vídeo ou uma explicação relacionada àquele conteúdo.

Tela 4: Praticando.

A grande vantagem da Khan Academy é que você consegue ver o seu progresso e ganhar “recompensas” ao atingir certos níveis. Isso é uma forma de manter-se motivado para continuar estudando (lembra do “cérebro festeiro” que comentei em um post anterior?).

Dica 3: não faça exercícios exaustivos por repetição

Assim como falei em um post anterior e também no vídeo. Não fique repetindo exercícios muito parecidos exaustivamente. O ideal é que você escolha 1 ou 2 de cada nível. O esquema ideal seria assim:

  1. Nível fácil: aqueles que você aplica diretamente a fórmula, sem muita elaboração.
  2. Nível médio: aqueles que já problematizam um pouco o conteúdo, mas que ainda é possível deduzir rapidamente a aplicação.
  3. Nível difícil: exercícios mais elaborados que exigem um pouco mais de criatividade para interpretar e chegar no resultado final.

Dica 4: não estude tudo de uma vez

Isso significa que você não deve estudar muitos conteúdos de uma vez só e de forma profunda. Vá fazendo aos poucos. Isso está ligado com o método pomodoro de obter pequenas recompensas para dar tempo para o seu cérebro descansar e, assim, manter a concentração por mais tempo.

E também há um estudo que diz que a melhor forma de estudar e obter bons resultados em exames é mesclar um pouco da aprendizagem mecânica com a profunda.

Tente seguir essas dicas e bons estudos!

Se você tem interesse de saber mais sobre a História da Matemática, recomendo os seguintes livros:

Título: História da Matemática
Autores: Carl Boyer e Uta C. Merzbach (Tradução de Helena Castro)
Editora: Blucher
Crédito da imagem: http://www.amazon.com.br

Obs.: Esta edição está esgotada na Amazon, mas talvez seja possível encontrar em outras livrarias ou até em sebos online.

Título: Introdução à História da Matemática
Autor: Howard Eves
Editora: Unicamp
Crédito da imagem: http://www.amazon.com.br

Título: História da Matemática: uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas.
Autora: Tatiana Roque
Editora: Zahar
Crédito da imagem: http://www.amazon.com.br

Assista também ao vídeo deste assunto de forma resumida: