Como usar o Google Keep para organizar os estudos

Publicado em 05/03/2021 por Luzia Kikuchi

Se você já chegou a ler o post no qual falo sobre o funcionamento do nosso cérebro e a necessidade de recompensas constantes para manter-se motivado, deve saber que manter uma lista de metas de curto, médio e longo prazo é essencial para criar hábitos em nosso cérebro. Isso vale para quase tudo em nossa vida e, inclusive, nos estudos.

E para gerenciar essa rotina, também cheguei a dar algumas dicas de como montar um organizador de formas diferentes e também indiquei alguns aplicativos como o KeepAsana e o Trello. Dentre esses três, o Keep traz algumas funções particularmente interessantes que escolhi para compartilhar neste post. Já no vídeo apresentei uma resenha completa para as pessoas que ainda não conhecem as principais funcionalidades do Keep. Se você ainda não conhece o Keep e quer entendê-lo melhor, recomendo assistir ao vídeo, no final deste texto (estará disponível a partir das 21h).

  1. Conversão de voz para texto

Em algumas situações, é muito mais eficiente gravar um áudio do que digitar um texto para comunicar o seu recado ou pensamento. Porém, no meu caso, uma dificuldade que costumo enfrentar com anotações em áudio é de lembrar onde está aquela informação futuramente. (Essa é uma das razões pelas quais eu não gosto de enviar/receber mensagens de áudio pelo Whatsapp, por exemplo).

Por outro lado, escrever um texto também é uma tarefa que exige um pouco mais do cognitivo. É preciso escrever com clareza, sem ambiguidade, para não causar certos mal-entendidos entre amigos e familiares. Talvez seja por isso que muita gente prefere enviar áudio do que escrever, em certos casos.

Contudo, o Keep parece trazer uma pequena vantagem para essa situação: ele permite gravar e converter o seu áudio para texto. Por ser uma ferramenta automatizada, nem sempre a conversão é 100% precisa, mas, se o idioma do seu aparelho está corretamente configurado*, ele faz um trabalho razoavelmente bom de conversão. Os eventuais erros encontrados podem ser corrigidos depois, caso a caso.

* Para que o aparelho entenda corretamente o que você diz, o idioma do sistema precisa estar configurado no mesmo que o seu. Por exemplo, se você grava um áudio em português, então o sistema deve estar configurado para “Português/BR”. Se estiver configurando em inglês ou qualquer outro diferente, provavelmente, ele não compreenderá as suas informações e transcreverá uma informação “sem pé e nem cabeça”.

Outro ponto interessante dessa funcionalidade é servir de treino para expressar as suas ideias em formato de texto. É fato que escrever um texto “do zero” é sempre mais difícil do que modificar aos poucos algo que já está escrito. Por isso, utilize essa ferramenta para “soltar o verbo” e, depois, vá consertando o seu texto aos poucos, por exemplo, retirando vícios de linguagem, complementando com mais informações e colocar um “começo, meio e fim” para as ideias que gostaria de passar.

Também sempre anote as ideias que surgirem quando não estiver escrevendo o texto. E, para isso, basta abrir o Keep, ativar o áudio e gravar as ideias que teve. É uma ótima função quando você estiver com as mãos ocupadas por exemplo.

  1. Conversão de imagem para texto

Ás vezes encontramos um texto muito interessante que gostaríamos de transcrever para o digital, mas, nem sempre, temos tempo ou paciência para fazer isso. Dessa forma, ter uma ferramenta que permite fotografar uma imagem de um texto e que converta automaticamente para um formato editável seria uma ótima funcionalidade para a vida de qualquer estudante ou com quem lida com muito texto.

E nesse quesito, o Keep também atende muito bem esse recurso, com a única ressalva de que o texto precisa estar bem nítido na imagem para que ele possa ser detectado. Caso contrário, ele pode ter dificuldades de fazer a conversão.

Assim como no áudio, algumas palavras podem ficar truncadas, mas que podem ser facilmente corrigidas depois de transcritas pelo software.

  1. Quer que eu explique ou desenhe?

Sim! O Keep também permite fazer anotações de desenhos e de escritos à mão, se isso for mais conveniente. Particularmente, acho que quem deve aproveitar melhor essa função são as pessoas que utilizam tablet ou celulares que acompanham uma caneta digital. Mas, não deixa de ser uma ótima função para quem precisar.

Por que ter o controle das suas tarefas anotadas em um local é importante?

Vejo muita gente que “desdenha” do poder de uma agenda ou organizador de tarefas, dizendo que é capaz de lembrar de cabeça os seus lembretes. Porém, dependendo da quantidade de compromissos que essa pessoa tiver, eu duvido muito que sejam capazes de lembrar de tudo sem confundir algumas datas e horários. 

É verdade que algumas pessoas têm uma memória de trabalho melhor do que outras, mas uma coisa é certa: não podemos confiar 100% nelas, pois, boa parte das informações que ficam nessa parte do cérebro são temporárias e, se não reforçadas, elas podem ser descartadas com o tempo.

O que isso significa?

Memória de trabalho é uma parte do cérebro onde as informações são armazenadas temporariamente para que sejam lembradas no momento da execução de uma ação. Por exemplo, se você está fazendo uma conta do tipo 12 x 2, sem escrever no papel, uma das formas de realizar essa conta é separar o 12 em duas partes: 10 e 2. Depois, multiplica-se o 10 por 2 e o 2 por 2 e soma-se os respectivos resultados.

Esse processo de fazer contas foi executado dentro da sua memória de trabalho. E, para isso, é necessário ter um certo tipo de concentração. Então, imagina fazer essa conta pensando no que você vai fazer depois de estudar ou o que vai comer. Ou ainda: lembrar das datas das provas e compromissos que você tem para a semana que vem. Seria um trabalho hercúleo*.

* o mesmo que “herculano”, que significa “esforço muito grande”.

Por isso, deixe o espaço da sua memória de trabalho somente para as coisas que interessam para cada momento. Seria a mesma analogia da mesa que você vai usar para estudar ou trabalhar: ela deve estar com os objetos mais importantes ao seu alcance. Faz sentido ter, nessa mesma mesa, as suas roupas ou seus jogos? Uma hora vai acabar lotando o seu espaço, não é? É dessa forma que acontece com a sua memória de trabalho. E ter um local onde você anota e organiza a sua rotina é como guardar as suas coisas em seu devido lugar, para acessar rapidamente quando precisa. Com isso, você será muito mais produtivo(a) e ser capaz de executar suas tarefas com muito mais foco e concentração.

Se você quiser compreender melhor sobre a função da memória de trabalho, no livro do psicólogo Daniel Willingham, no Capítulo 1, ele dá vários exemplos de como contornar a limitação da memória de trabalho, mas, no sentido de aumentar o seu repertório de memória a longo prazo e também de automatizar certos processos repetitivos. O que também é uma parte muito importante para ajudar a aprender melhor. Porém, futuramente, pretendo me aprofundar nos achados trazidos neste livro. Mas, por enquanto, fica a indicação para quem tiver interesse.

Título: Por que os alunos não gostam da escola?
Autor: Daniel T. Willingham
Tradutor: Marcos Vinícius Martim da Silva; José Fernando Bitencourt Lomônaco
Editora: Artmed
Crédito da imagem: amazon.com.br