Estudar ou trabalhar ouvindo música é realmente eficaz?

Publicado em 21/08/2020 por Luzia Kikuchi

Eu já havia contado neste post que estudar ou trabalhar ouvindo música pode ser uma forma de ajudar na concentração. Pelo menos, para mim, tem sido bastante eficaz no sentido de camuflar ruídos repetitivos e de pessoas conversando, que são duas coisas que me distraem bastante. Mas, cientificamente falando: será que isso é realmente eficaz?

Segundo o estudo feito por Gonzalez e Aiello (2019), respectivamente, pesquisadores da CUNY (City University of New York) e da Universidade de New Jersey, há três correlações principais: complexidade da tarefa, personalidade do sujeito e o tipo de música. Vou explicar o que seria cada um desses itens e, por fim, a correlação encontrada entre eles para constatar se estudar ou trabalhar ouvindo música é efetivo.

  1. Complexidade da tarefa

A primeira coisa que você deve considerar se deve ou não ouvir música para estudar ou trabalhar é a complexidade da tarefa. Por exemplo, se a tarefa que você for executar é algo relativamente novo e você precisa compreender ou aprender mais coisas, pode-se dizer que ela é uma tarefa de alta complexidade. Por outro lado, tarefas que são razoavelmente repetitivas ou que exigem pouco do seu lado cognitivo, podem ser consideradas como de baixa complexidade.

Sabendo dessas duas classificações principais sobre a complexidade da tarefa, vamos analisar o tipo de personalidade dos sujeitos pesquisados.

  1. Personalidade dos sujeitos

Se você é uma pessoa que têm tendência a se entediar facilmente, pode ser considerada como alguém que precisa de estímulos externos para manter-se concentrada em certos tipos de tarefas. Para esses tipos de pessoas, tarefas de baixa complexidade tendem a deixá-las entediadas conforme o tempo. Sendo assim, a música parece ter alguma influência positiva em mantê-la concentrada, evitando que sua mente comece a divagar (vulgo “viajar na maionese”) ou até mesmo evitando a procrastinação.

Por outro lado, em tarefas mais complexas, pessoas que são muito propensas a receber estímulos externos, acabam não tendo muito benefício em sua performance quando escutam música. Isso porque elas acabam prestando mais atenção na música do que na tarefa em si. Nesses casos, não ouvir música parece ser mais positivo em termos de qualidade de execução da tarefa.

Agora, se você é uma pessoa que não sente muita necessidade de estímulos externos, ouvir música parece só trazer benefício de acordo com o tipo de música.

  1. O tipo de música

Os pesquisadores utilizaram no teste apenas músicas instrumentais, pouco conhecidas pelos participantes, e que não contivesse nenhuma letra, ou seja, a parte vocal. Isso serve para evitar que os sujeitos da pesquisa caíssem na “tentação” de cantar junto e, assim, sobrecarregar o lado cognitivo.

Com essas músicas escolhidas, ainda fizeram duas classificações: complexas e simples. As músicas consideradas como complexas são aquelas que possuem mais instrumentos musicais na composição e as mais simples possuem menos “camadas”. Basicamente, para deixar a música mais simples foram retirados os instrumentos de percussão da música mais complexa.

Nesse caso, os sujeitos que tinham menos necessidade de estímulos externos tiveram uma performance melhor quando ouviam músicas mais complexas para executar tarefas mais simples. Curiosamente, os que sentem mais necessidade de estímulos externos tiveram uma performance contrária.

Qual o veredito?

Obviamente, essa pesquisa apenas dá apenas indícios e não é totalmente conclusiva, pois a personalidade das pessoas são muito mais complexas do que uma simples propensão a receber estímulos externos ou não. Além disso, a classificação de tarefas e músicas também tem suas nuances sendo algo muito subjetivo.

Porém, o que eles quiseram mostrar com o estudo é de chamar a atenção tanto de educadores quanto de empregadores para que deixem aberta a opção de ouvir música ou não para uma melhor performance nas tarefas.

Por isso, o que se pode concluir de forma geral é que ouvir música afeta a performance de tarefas de alta complexidade negativamente independentemente do tipo de personalidade e do tipo de música.

Por outro lado, para tarefas simples, o tipo de resultado pode variar conforme a personalidade e o tipo de música. Para pessoas que necessitam de estímulos externos, músicas mais simples parecem ser mais efetivas. Já para aqueles que não necessitam de estímulos ou preferem o silêncio, músicas de alta complexidade parecem ser mais efetivas para manter a motivação nesses tipos de tarefas.

Eu posso dizer, da minha parte, que embora tenha preferência por ouvir música para estudar ou trabalhar, dependendo da situação do ambiente, isso depende muito do tipo de tarefa. Portanto, nesse quesito, os resultados do estudo parecem ser condizentes com a minha realidade. Se eu preciso escrever um texto mais elaborado, não consigo fazê-lo ouvindo música, por exemplo. Porém, para tarefas mais mecânicas ou para praticar exercícios, a música me ajuda a manter o foco.

Um exemplo prático que pode ilustrar os achados desse estudo seria o seguinte: se você costuma dirigir, já deve ter se pegado baixando o volume do rádio para procurar um endereço ou mesmo para fazer a baliza (meu caso). Isso é uma reação espontânea do nosso cérebro dizendo que aquela tarefa requer um esforço cognitivo maior. E não tem nenhum problema em fazer isso, pelo menos, segundo os achados da ciência.

Conte nos comentários qual tipo de pessoa que você é e se os resultados desse estudo combinam com você.

No vídeo vocês podem conferir uma “palhinha” da minha performance de “Adele”.

Publicado por

Luzia Kikuchi

Adora aprender sobre o funcionamento do cérebro para que possa entender certos tipos de comportamentos dos seres humanos e assim poder ajudar a si mesma e também a outras pessoas.

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