Como priorizar tarefas e ser mais produtivo?

Publicado em 16/10/2020 por Luzia Kikuchi

Confesso a vocês que eu tenho um problema: sou uma “maníaca” por otimização e “algoritmização” até de tarefas muito simples como lavar a louça. No caso desse afazer doméstico em específico, eu gosto de separar todas as louças nas seguintes categorias: copos e xícaras; tigelas e vasilhas pequenas; pratos; panelas e talheres. Nesta última ainda há uma subdivisão: facas, garfos, colheres e outros.

Fica mais ou menos assim as louças organizadas antes de eu lavar.

E qual seria a ordem prática de tomar um tempinho para organizar as louças em categorias? Para mim, tem uma razão simples: sensação de progresso. Quando você olha para aquela pilha de louças em cima da pia, dá uma sensação de que o trabalho levará uma eternidade para ser completa. Mas, quando começa a separar a louça em categorias similares e vai colocando uma ordem, logo irá perceber que aquele “amontoado” era só um volume e, na verdade, a pilha de louças que realmente precisa ser lavada é muito menor do que parecia inicialmente.

E, na vida, muitas coisas funcionam dessa forma. Quando você tem um grande problema, parece ser impossível de ser solucionado. Mas, se começar a separá-lo em pequenas partes e começa a resolver pelo que sabe e pode ser resolvido a curto prazo, quanto menos se espera, terá a solução do problema por completo.

Então, para qualquer tipo de tarefa que tenho para resolver, desde a mais simples até a mais complexa, eu sempre sigo um mantra: “priorizar as mais simples” e depois organizar para resolver as mais complexas. Porém, como podemos classificar uma tarefa como “simples” ou “complexa”?

Bem, essa categorização já é bastante pessoal, mas como eu já apresentei em um post anterior, você precisa domar o seu cérebro “festeiro”. E, basicamente, ele quer recompensas rápidas. Então, se você estiver muito atarefado, tente resolver aquelas que podem ser solucionadas com um pouco mais de agilidade, ou seja, as tarefas simples. Dessa forma, você consegue dar uma recompensa para o seu cérebro “festeiro” e terá uma sensação de progresso na sua lista de afazeres e ter uma noção da complexidade de cada uma das tarefas.

Você e suas tarefas ao fundo.

Porém, resolver apenas tarefas simples têm o seguinte risco: você pode ficar só resolvendo aquilo que é “emergencial” e nunca resolver um problema por completo. No mundo corporativo, costuma-se dizer que “alguém vive de apagar incêndio”, ou seja, de resolver tarefas somente a curto prazo, sem um planejamento meticuloso que ajude a melhorar um processo por completo a longo prazo. O preço disso é um desgaste constante de sempre estar ocupado, mas, curiosamente, sempre estar com a sensação de atraso nas entregas. Por isso, saber categorizar dentro de uma mesma tarefa, o que é mais urgente e o que é mais importante de ser resolvido é crucial. 

Por exemplo, vamos voltar para o exemplo da pia cheia de louças novamente. Imagine que eu tenha que lavar as louças e colocar as roupas para lavar na máquina de lavar. Vamos supor que eu comecei bem: separei as louças em tipos e aquelas que são mais fáceis de lavar, pois não têm gordura ou sujeira difíceis de serem limpadas. Por último, ficaram aquelas panelas cheias de gordura da comida que você preparou no almoço em família. Então eu começo a lavar os copos, alguns pratos que só tinham migalhas de pães. E, de repente, paro. Resolvo ir para a máquina de lavar roupa e colocar todas as roupas sujas dentro dela. 

Porém, se eu colocar as roupas coloridas e brancas todas juntas, elas correm o risco de manchar. Então, eu começo a separar, roupa branca, coloridas, escuras… Mas, daí eu percebo que existem também roupas delicadas que vão estragar se colocadas juntas com outras para “bater” na máquina. O que eu faço? Vou ter que lavá-las na mão. Mas, daí o seu cérebro já começa a doer, a preguiça bate e acaba lembrando que nem terminou de lavar a louça. Mas, quando volta, olha para aquela panela e pratos cheio de gordura e não tem mais ânimo para continuar. Resolve voltar para a máquina de lavar e chega a conclusão inevitável de que não vai conseguir lavar todas as roupas de uma vez só. Por preguiça, resolve colocar tudo na máquina e “seja o que Deus quiser”. Acredita que já “resolveu” pelo menos uma tarefa e vai fazer outra coisa.

Tempo depois, quando a máquina apita ao terminar, chega a conclusão do inevitável: roupas brancas manchadas, outras rasgadas. Você terá que lavá-las novamente, mas do jeito que deveria ter feito desde o começo: separando-as por cores e tipos de tecido. Você perdeu tempo e dinheiro, porque gastou água, sabão, energia e mais a reposição das roupas que estragou. Ou seja, achou que resolveu uma tarefa, mas ela volta novamente a você. E, assim, perpetuando o seu dia com afazeres simples que não se resolvem. (E lembre-se que, nessa situação, ainda não terminou de lavar a louça também).

Você tendo que lavar suas roupas tudo novamente.

Dei essa situação hipotética, que pode até ser “ingênua”, mas, quando se trata de tarefas mais abstratas, é muito comum as pessoas ficarem “patinando” em tarefas e mais tarefas e com a sensação de que nada terminam. Sempre estão com pendências para resolver. E, muitas vezes, parecem estar trabalhando de forma proativa e eficiente, mas, na verdade, estão utilizando tempo e energia da forma errada. Lembre-se: trabalhar o tempo todo não é sinônimo de produtividade. É a qualidade da sua entrega, mesmo que sejam tempos pequenos, como falei no post sobre o método se/então, para evitar procrastinação.

E isso vale para qualquer coisa: dos estudos ao trabalho. Então, ficar passando de uma tarefa para outra, o famoso “multitarefa” é contra produtivo, como demonstrei na tarefa de lavar louça e roupa anteriormente. Então, a melhor forma de organizar o seu tempo é priorizar, dentro de uma mesma tarefa as etapas de resolução: do mais simples ao complexo. E, além disso, você precisa estipular um tempo específico do seu dia para resolver a tarefa por completo.

Por exemplo, você precisa estudar Matemática e História. Mas, matemática você tem facilidade para entender e está com as tarefas em dia, mas precisa praticar com um simulado com questões mais desafiadoras. Já a parte de História, precisa ler, tentar escrever um texto com suas próprias palavras e resolver algumas questões da tarefa. Qual dessas disciplinas você vai estudar primeiro? História ou Matemática?

Se você prefere Matemática, a sua tendência é tentar começar por ela primeiro. O problema é que História está com mais pendências que Matemática. Então começo por História e deixo de lado o simulado de Matemática? Errado também. O que você precisa estipular é o tempo adequado para cada uma. Você está bem em Matemática, mas precisa continuar praticando, mas talvez não precise ficar praticando muitos exercícios, fazer alguns de níveis diferentes já é suficiente (eu já disse nesse post, sobre a importância da prática intervalada nos estudos). Terminou de estudar Matemática? Ótimo! Agora vá para a disciplina de História, depois de um intervalo.

Comece resolvendo a leitura e tente responder algumas questões sobre o texto. Veja quantos acertou ou errou e pare. Deixe descansar, volte no dia seguinte e tente começar a revisar por aquelas que errou no dia anterior. Dependendo do seu desempenho nas questões, você pode também tentar escrever um texto sobre o assunto, só com o que você tem em sua memória. Assim, você vai saber se lembra de informações o suficiente e saber o que revisar. 

Depois que já conseguiu compensar uma parte do atraso de História e obteve algum progresso, volte para a Matemática, siga fazendo o simulado com mais alguns exercícios. Eventualmente, se você estudou um pouco menos de horas no dia anterior para Matemática para estudar História, então, a partir do momento que as disciplinas estão em dia, você pode dar um pouco mais de atenção na primeira que estudou menos horas. E assim por diante.

Conseguiu captar mais ou menos a ideia?

E dentro dessas suas tarefas, sempre coloque um tempo de descanso. Seja para tomar um café ou fazer alguma atividade de lazer que goste. O importante é que você resolva uma tarefa de cada vez, mas sempre se dê uma recompensa para que o seu cérebro continue motivado a concluir suas tarefas.

Pausas são importantes para continuar a ser produtivo.

Uma sugestão para manter uma prioridade de tarefas é ter um organizador de tarefas no alcance da sua visão. Neste post eu dei várias opções como sugestão para serem utilizadas.

E se você tem dificuldades para manter-se concentrado ou concentrada, então recomendo ler este post. E para manter metas de longo prazo, também dei 5 dicas de como organizar o seu planejamento para concluir objetivos de longo prazo.

Então? Essas dicas te ajudaram? Conte nos comentários se você tem alguma técnica para priorizar tarefas do seu dia a dia que dê resultado.

No vídeo, eu compilei essas ideias classificando-os em 5 erros que muita gente faz achando que está sendo mais produtivo.

Estudar ou trabalhar ouvindo música é realmente eficaz?

Publicado em 21/08/2020 por Luzia Kikuchi

Eu já havia contado neste post que estudar ou trabalhar ouvindo música pode ser uma forma de ajudar na concentração. Pelo menos, para mim, tem sido bastante eficaz no sentido de camuflar ruídos repetitivos e de pessoas conversando, que são duas coisas que me distraem bastante. Mas, cientificamente falando: será que isso é realmente eficaz?

Segundo o estudo feito por Gonzalez e Aiello (2019), respectivamente, pesquisadores da CUNY (City University of New York) e da Universidade de New Jersey, há três correlações principais: complexidade da tarefa, personalidade do sujeito e o tipo de música. Vou explicar o que seria cada um desses itens e, por fim, a correlação encontrada entre eles para constatar se estudar ou trabalhar ouvindo música é efetivo.

  1. Complexidade da tarefa

A primeira coisa que você deve considerar se deve ou não ouvir música para estudar ou trabalhar é a complexidade da tarefa. Por exemplo, se a tarefa que você for executar é algo relativamente novo e você precisa compreender ou aprender mais coisas, pode-se dizer que ela é uma tarefa de alta complexidade. Por outro lado, tarefas que são razoavelmente repetitivas ou que exigem pouco do seu lado cognitivo, podem ser consideradas como de baixa complexidade.

Sabendo dessas duas classificações principais sobre a complexidade da tarefa, vamos analisar o tipo de personalidade dos sujeitos pesquisados.

  1. Personalidade dos sujeitos

Se você é uma pessoa que têm tendência a se entediar facilmente, pode ser considerada como alguém que precisa de estímulos externos para manter-se concentrada em certos tipos de tarefas. Para esses tipos de pessoas, tarefas de baixa complexidade tendem a deixá-las entediadas conforme o tempo. Sendo assim, a música parece ter alguma influência positiva em mantê-la concentrada, evitando que sua mente comece a divagar (vulgo “viajar na maionese”) ou até mesmo evitando a procrastinação.

Por outro lado, em tarefas mais complexas, pessoas que são muito propensas a receber estímulos externos, acabam não tendo muito benefício em sua performance quando escutam música. Isso porque elas acabam prestando mais atenção na música do que na tarefa em si. Nesses casos, não ouvir música parece ser mais positivo em termos de qualidade de execução da tarefa.

Agora, se você é uma pessoa que não sente muita necessidade de estímulos externos, ouvir música parece só trazer benefício de acordo com o tipo de música.

  1. O tipo de música

Os pesquisadores utilizaram no teste apenas músicas instrumentais, pouco conhecidas pelos participantes, e que não contivesse nenhuma letra, ou seja, a parte vocal. Isso serve para evitar que os sujeitos da pesquisa caíssem na “tentação” de cantar junto e, assim, sobrecarregar o lado cognitivo.

Com essas músicas escolhidas, ainda fizeram duas classificações: complexas e simples. As músicas consideradas como complexas são aquelas que possuem mais instrumentos musicais na composição e as mais simples possuem menos “camadas”. Basicamente, para deixar a música mais simples foram retirados os instrumentos de percussão da música mais complexa.

Nesse caso, os sujeitos que tinham menos necessidade de estímulos externos tiveram uma performance melhor quando ouviam músicas mais complexas para executar tarefas mais simples. Curiosamente, os que sentem mais necessidade de estímulos externos tiveram uma performance contrária.

Qual o veredito?

Obviamente, essa pesquisa apenas dá apenas indícios e não é totalmente conclusiva, pois a personalidade das pessoas são muito mais complexas do que uma simples propensão a receber estímulos externos ou não. Além disso, a classificação de tarefas e músicas também tem suas nuances sendo algo muito subjetivo.

Porém, o que eles quiseram mostrar com o estudo é de chamar a atenção tanto de educadores quanto de empregadores para que deixem aberta a opção de ouvir música ou não para uma melhor performance nas tarefas.

Por isso, o que se pode concluir de forma geral é que ouvir música afeta a performance de tarefas de alta complexidade negativamente independentemente do tipo de personalidade e do tipo de música.

Por outro lado, para tarefas simples, o tipo de resultado pode variar conforme a personalidade e o tipo de música. Para pessoas que necessitam de estímulos externos, músicas mais simples parecem ser mais efetivas. Já para aqueles que não necessitam de estímulos ou preferem o silêncio, músicas de alta complexidade parecem ser mais efetivas para manter a motivação nesses tipos de tarefas.

Eu posso dizer, da minha parte, que embora tenha preferência por ouvir música para estudar ou trabalhar, dependendo da situação do ambiente, isso depende muito do tipo de tarefa. Portanto, nesse quesito, os resultados do estudo parecem ser condizentes com a minha realidade. Se eu preciso escrever um texto mais elaborado, não consigo fazê-lo ouvindo música, por exemplo. Porém, para tarefas mais mecânicas ou para praticar exercícios, a música me ajuda a manter o foco.

Um exemplo prático que pode ilustrar os achados desse estudo seria o seguinte: se você costuma dirigir, já deve ter se pegado baixando o volume do rádio para procurar um endereço ou mesmo para fazer a baliza (meu caso). Isso é uma reação espontânea do nosso cérebro dizendo que aquela tarefa requer um esforço cognitivo maior. E não tem nenhum problema em fazer isso, pelo menos, segundo os achados da ciência.

Conte nos comentários qual tipo de pessoa que você é e se os resultados desse estudo combinam com você.

No vídeo vocês podem conferir uma “palhinha” da minha performance de “Adele”.

Como deixar de procrastinar? O método se/então 

Publicado em 24/07/2020 por Luzia Kikuchi

Que atire a primeira pedra quem não deixou alguma tarefa para depois em algum momento de sua vida.

Eu já falei, em alguns posts anteriores, como manter a motivação nos estudos, como fazer uma agenda de organização e sobre o método pomodoro adaptado para aprender a ter foco. No entanto, mesmo a pessoa que vos fala aqui, que sabe e pratica a todo momento essas dicas, também sofre de momentos de procrastinação. Então fui pesquisar o que as pesquisas em psicologia comportamental ou social têm a dizer sobre o assunto.

Tentei procurar inicialmente um artigo que envolvesse a questão da “procrastinação” e a sua relação com a “aprendizagem”. Nessa busca encontrei uma revisão sistemática de literatura feita por Correia e Moura Júnior (2017) que, embora não trabalhem diretamente na área de Psicologia, fizeram um levantamento sistemático interessante dos trabalhos publicados de 2005 a 2015, pesquisados através do portal de periódicos da CAPES.

Segundo dados levantados por esse artigo, há algumas características em comum entre os indivíduos que não procrastinam:

  1. Adotam objetivos desafiadores de aprendizagem (HOWELL e WATSON, 2007);
  2. Escolhem regular a aprendizagem entre momentos de procrastinação e estado de flow* (KIM e SEO, 2013);
  3. Indivíduos com alto estado de consciência ou moral e que usam estratégias de autorregulação para evitar a procrastinação (WATSON, 2001).

*flow ou fluxo é um termo usado pelo psicólogo Csikszentmihalyi para definir um estado de alta concentração de um indivíduo para realizar uma determinada tarefa. É um estado muito descrito pelas pessoas como “fiquei tão concentrado(a) nessa tarefa que o tempo passou e nem percebi”.

Além disso, o tipo de valor social e cultural também está diretamente ligado ao fato de uma pessoa procrastinar ou não. Por exemplo, na questão social, pessoas que têm um baixo índice de pertencimento a um grupo tendem mais a procrastinar. Já na questão cultural, existem os valores modernos e os pós-modernos. Quem valoriza o aspecto pós-moderno, que é a tolerância, apreciação de contatos sociais e autorrealização, tende também a procrastinar mais.

Lembrando que essa análise está sendo feita sob o ponto de vista da procrastinação acadêmica, ou seja, deixar de estudar um conteúdo mais difícil ou deixar de escrever seus textos acadêmicos como artigos, dissertações e teses, no caso de pós-graduandos, por exemplo.

Dentro da perspectiva social e cognitiva, pelo menos no ambiente acadêmico, também é levantada a falta de suporte no ambiente de aprendizagem. É muito comum que acadêmicos sofram de estresse, ansiedade, exaustão, além do perfeccionismo exacerbado. Porém, raramente há um suporte emocional nas universidades para que esses indivíduos possam lidar melhor com esses sofrimentos. Além disso, no ambiente acadêmico, a demonstração desses tipos de dificuldades ainda é vista como um tabu e sinalização de fraqueza moral, o que corrobora ainda mais para o ciclo de aflição dos estudantes.

Mas, parece que há algumas estratégias para tentar diminuir o processo de procrastinação, de acordo com uma pesquisa feita por Gollwitzer e Sheeran (2006) na qual eles compararam o índice de sucesso para completar uma tarefa de uma pessoa que implementa o método se/então ou aquela que coloca apenas uma meta genérica.

A grande diferença entre o método da implementação e o objetivo genérico é que, no primeiro, o indivíduo consegue observar o passo a passo necessário para chegar a um objetivo final. Desse modo, quanto mais meticuloso na elaboração de todos os se/então para chegar no seu objetivo, menos chances de procrastinar. Isso se explica pelo fato do indivíduo saber a complexidade de cada passo da tarefa e avaliar todos os níveis de dificuldade que deverão ser enfrentados e assim ser capaz de estipular com mais clareza o tempo necessário para atingir o objetivo final.

Já no caso do objetivo genérico, o grande problema dele seria a imprecisão de prever os passos necessários para atingi-lo. Dessa forma, ao notar que há mais dificuldades do que as inicialmente previstas, há uma tendência a procrastinação que pode gerar em dois resultados: um trabalho feito de forma medíocre ou a desistência.

Em posts passados, já comentei sobre a falácia do planejamento, apresentado no livro do Kahneman e também do esforço cognitivo necessário para o cérebro manter-se concentrado em tarefas desafiadoras. Assim, o que apresento nas dicas a seguir é como se fosse um reforço dessas ideias, mas complementando com uma nova metodologia.

1º passo: Como?

Neste passo, você deve pensar nos passos necessários para atingir o seu objetivo. A dica fundamental é formar várias sentenças curtas que definem cada passo.

Por exemplo, se a minha meta é publicar um artigo científico, poderia enumerar algumas atividades relacionadas a isso a partir da pergunta: “Como vou publicar um artigo científico?”

  1. Definir um trabalho que quero apresentar;
  2. Definir onde quero publicar: congresso ou revista;
  3. Definir como é a estrutura de um artigo científico;
  4. Listar as referências que preciso utilizar;
  5. Definir quanto eu consigo escrever por dia.

Esses são os meus passos, pode ser que você precise de mais ou de menos, de acordo com a sua experiência. Por isso, é importante que cada pessoa elabore o seu plano. Não adianta copiar o plano de outra pessoa, pois isso é um caminho certo para a procrastinação.

Agora, vamos passar para o segundo passo para realizar cada uma das atividades enumeradas anteriormente.

2º passo: Onde?

Para cada atividade que mencionei no passo anterior, existe alguma necessidade de procurar a informação adequada. Então, vamos responder cada uma delas indicando onde vou fazer isso.

  1. Onde eu defino o trabalho que quero apresentar? 

Resposta: Meus arquivos.

  1. Onde quero publicar: congresso ou revista?

Resposta: Procurar os eventos no site da SBEM ou no Qualis Periódicos.

  1. Onde encontrar como é a estrutura de um artigo científico?

Resposta: Aqui no meu blog! (rs)

  1. Onde listar as referências que preciso utilizar?

Resposta: Fazer um levantamento bibliográfico ou a partir uma revisão sistemática no Periódicos da Capes ou no DOAJ.

  1. Onde defino quanto eu consigo escrever por dia?

Resposta: Posso olhar para a minha agenda e ver quais dias e horários tenho disponíveis para adequar o volume de trabalho que tenho que fazer para me dedicar ao artigo.

3º passo: Quando?

Depois de responder o “Como” e “Onde?” temos que definir quando vamos fazer cada um dos itens do passo anterior.

Veja que aqui depende muito da disponibilidade de cada pessoa. Então, vou colocar o tempo baseado na experiência que eu tenho para realizar essas tarefas mencionadas para você ter apenas uma ideia. Vá ajustando conforme necessário.

  1. Consultar os meus arquivos.

Tempo necessário: Um dia* ou menos.

  1. Procurar os eventos no site da SBEM ou no Qualis Periódicos.

Tempo necessário: Um a dois dias (dependendo da quantidade que preciso analisar)

  1. Ler no meu blog a estrutura principal de um artigo científico.

Tempo necessário: Uma hora (consultar e tentar compreender a estrutura principal).

  1. Fazer um levantamento bibliográfico ou partir uma revisão sistemática no Periódicos da Capes ou no DOAJ.

Tempo necessário: Três dias se for um levantamento geral e uma semana se for uma revisão sistemática com leitura só dos resumos.

  1. Definir a minha agenda e ver quais dias e horários tenho disponíveis para adequar o volume de trabalho que tenho que fazer para me dedicar ao artigo.

Tempo necessário: Uma hora a duas.

* A definição para um dia de trabalho seria de um horário comercial: 8 horas com pausas pequenas para lanche e ir ao banheiro. Então para uma semana de trabalho, seriam 8 horas multiplicadas por 7 dias. Aqui fica a seu critério se considera os finais de semana.

E a estratégia chave para você poder elaborar cada passo é sempre fazer a pergunta: “Se ….. então ….”. Isso facilita o encadeamento lógico das suas ideias.

No vídeo a seguir, apresentei essas dicas de forma resumida utilizando um exemplo não acadêmico. Compartilhe com alguém que esteja precisando!

E para ajudar na organização, fiz um plano de objetivos para você apenas preencher com as dicas que dei aqui.

Para finalizar, achei interessante que as dicas apresentadas pela Nathalia Arcuri sobre “Os 5 Qs do consumo consciente” no seu livro “Me Poupe! 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso” é bem similar a este método. Isso significa que as dicas para evitar o gasto por impulso também podem ser aplicadas para cumprir objetivos de forma satisfatória.

Eu espero que essas dicas te ajudem a ser mais bem-sucedido ou sucedida em suas tarefas!

Como ter motivação para estudar?

Publicado em 19/06/2020 por Luzia Kikuchi

Em um post anterior falei a respeito de como atingir objetivos de longo prazo. E pensando no contexto atual (pandemia, crise econômica e crise política) qualquer plano parece muito efêmero* e sem importância perto do que estamos passando.

*efêmero: algo temporário, passageiro ou transitório.

E, querendo ou não, estudar é um planejamento de longo prazo. Se você quiser obter resultados duradouros e construir conhecimentos interconectados, não é uma noite de estudos que vai te tornar um “filósofo” ou o “matemático de todos os tempos” da noite para o dia. E, muitas vezes, por não ter resultados imediatos, é muito fácil perder o foco e a motivação para estudar.

Antes de responder à pergunta do título deste post, faço uma “contra-pergunta” ou pergunta retórica a você (clique aqui se você quer saber o que é uma pergunta retórica):

“Por que você estuda?”

Pegue um lápis ou uma caneta e um bloco de anotações e faça uma lista de motivos que te levam a estudar ou acreditar que isso seja importante.

Eu não sou “vidente”, mas provavelmente as motivações devem ser muito parecidas com estas aqui; mesmo porque seria o que eu responderia a 20 anos atrás (olha eu entregando a idade!)

Se eu pudesse, hoje, conversar comigo daquela época, sentaria em uma mesa com um café (ops, eu não tomava naquele tempo) suco ou um chá e desenvolveria cada uma das justificativas dadas anteriormente da seguinte maneira:

  1. Entrar em uma universidade pública de qualidade

Diria que essa é uma motivação válida, mas muito temporária, pois a partir do momento que você for aprovada no processo seletivo, o objetivo já estará conquistado. E depois? Como se manterá motivada para estudar na faculdade? Qual será a sua próxima motivação?

  1. Para poder ter melhores oportunidades no mercado de trabalho

Talvez, no passado, eu responderia à pergunta do item anterior que, já dentro da universidade, a minha motivação para estudar seria para terminar o curso e poder ter boas oportunidades no mercado de trabalho.

Porém, quem já passou por essa fase sabe muito bem que diploma não é garantia de emprego em nenhum lugar. Obviamente, uma boa formação abre muitas portas, mas a falta de experiência ou até mesmo a sua capacidade de se relacionar com as pessoas, e ter a humildade de aprender com pessoas experientes, podem ser postas à prova no momento de uma contratação.

Então, se eu te disser que a sua graduação não é garantia de emprego, você perderia a sua motivação para estudar hoje? Preferiria largar a faculdade e tentar começar a trabalhar desde cedo para adquirir mais experiência antes? Você escolhe. Mas te digo que independente da opção, não vai ser fácil.

  1. Para ter o reconhecimento dos pais

Só quem tem pais asiáticos deve saber do que estou falando (rs). De fato, a cobrança é alta e não são fáceis de impressionar com qualquer conquista. Assim, no meu inconsciente daquela época, havia uma cobrança obsessiva em conseguir algo notório o suficiente para que eles pudessem ter orgulho da filha que têm. E como nunca tive uma habilidade excepcional, o estudo sempre foi o caminho “mais fácil” para mim.

No entanto, hoje posso dizer que esse tipo de motivação é um “tiro no pé”, pois você convive com os seus pais no dia a dia. Então, quando você se sentir desmotivada para estudar, em vez de pensar em estratégias melhores, ficará preocupada em mostrar resultados para os seus pais. 

Com isso, a “pressão” passa a ser tão intensa que entrará no círculo vicioso de tentar estudar mais sem descanso, que é contraprodutivo, e você estará sentada por horas no mesmo lugar sem necessariamente estar aprendendo alguma coisa.

E quando o resultado do “fracasso” vir à tona (por exemplo, com uma não aprovação no concurso vestibular), em vez de pensar em como melhorar, você aceita a “derrota” e “conforma-se” de que o sonho que você almeja é muito alto, pensando em outra forma de reconhecimento que seja “mais fácil”. O problema disso é que você nunca encontrará o “mais fácil”, pois não consegue vencer a própria pressão interna.

Então, a dica que eu daria hoje é que não tenha como motivação o reconhecimento de outras pessoas. Faça por você e o que isso te trará de benefício a longo prazo.

  1. Porque eu quero sair da minha zona de conforto.

Ah, agora estamos chegando onde eu queria! Isso é uma motivação um pouco mais possível de ser controlada e de longo prazo. Se você põe os seus estudos como uma forma de se desafiar e aprender um pouco a cada dia, o estudo passa a ser menos penoso.

Na verdade, o que eu quero dizer com tudo isso é que para ter motivação para estudar, você precisa encontrar primeiro a razão certa para os seus estudos. E isso não pode ser um objetivo no qual o resultado seja muito incerto ou que demore muito para ser conquistado.

“Ué? Então isso significa que eu só devo me preocupar com o planejamento a curto prazo?”

Não! Pelo contrário: você precisa “pavimentar” todos os passos até chegar nesse objetivo de longo prazo. Mas, para isso, nós precisamos controlar o nosso “cérebro festeiro” que a todo momento tentará sabotar os seus planos de longo prazo. E, por isso, a melhor forma de manter-se motivado ou motivada para os seus estudos seria os seguintes passos:

Você pode continuar lendo ou ver as dicas pelo vídeo do canal:

Dica 1: Divida o seu tempo de estudo em pequenos intervalos

Crédito da imagem: Jakson Martins

Já existem estudos que comprovam a eficácia de técnicas de estudo intervaladas, como o conhecido método pomodoro que promete aumentar a produtividade do seu trabalho e dos estudos, concentrando-se por 25 minutos e descansando por 5 minutos, além de ter um intervalo maior de pausa quando alcançar quatro ciclos de 25 minutos de trabalho. 

No entanto, se você tem dificuldades para iniciar os 25 minutos de concentração, eu também fiz um método adaptado no qual explico neste post, como “aquecimento” para a técnica tradicional.

Dica 2: Tente explicar ou testar o conteúdo que estudou

Crédito da imagem: August de Richelieu

Uma das melhores formas de aprender é tentar explicar para alguém o que estudou. Seria melhor ainda se você puder se comprometer a dar uma aula ou uma palestra sobre o assunto que está estudando. Isso é eficaz porque a responsabilidade de passar o conhecimento a alguém naturalmente fará com que você pense criticamente sobre o conteúdo que está estudando.

Mas, se não tiver essa opção, você também pode fazer pequenos simulados com o conteúdo estudado. Uma ótima opção é usar a plataforma da Khan Academy ou aplicativos similares nos quais você pode encontrar vários testes de conhecimento sobre o assunto que estiver estudando.

Dica 3: Se o conteúdo ficar difícil, vá caminhar!

Existe outro estudo sobre cognição que demonstra a eficácia de movimentar-se como forma de ter insights ou ideias para a compreensão de um determinado conteúdo. Na verdade, nesse estudo citado, não necessariamente há uma movimentação corporal, mas a eficácia de movimentar os olhos para diferentes direções do diagrama para obter a solução para um problema de física.

Mais uma vez, isso explica a eficácia do método pomodoro de alguma maneira. Porque, se você mantém a atenção por muito tempo em um mesmo lugar, o cérebro “sobrecarrega-se” daquela informação e não consegue processar os dados que você está tentando memorizar ou compreender. Por outro lado, se você consegue dar pequenas pausas, o seu estado de atenção é recuperado e, assim, será capaz de olhar para a solução de um problema por outros ângulos.

Quantas vezes você se deparou com algum problema e não conseguia achar a solução ou tomou decisões precipitadas por não parar para pensar com calma?

Por isso, o ditado popular “se estiver nervoso ou nervosa, vá pescar!” é um bom conselho para encontrar soluções mais inteligentes.

Crédito da imagem: Tookapic

Dica 4: Pequenas recompensas depois do estudo

É aquela velha história da recompensa para o “cérebro festeiro” que eu sempre conto nos meus posts: se você fez um planejamento bem feito e realista (eu conto neste vídeo também como fazer uma organização de estudos) e cumpriu aquele cronograma para o dia, vá ser feliz! Faça qualquer coisa que goste e que te ajude a relaxar sem ficar pensando nos estudos. Isso será muito mais eficaz do que ficar longas horas estudando. O mais importante é manter a rotina, mesmo que seja pouco a pouco.

Conte nos comentários se você conhece outras formas de manter a motivação em alta para estudar ou o que é ter motivação para você.