Como usar o Trello para organizar os estudos?

Publicado em 18/02/2022 por Luzia Kikuchi

Quando eu era estudante, não tinha muita autonomia para selecionar os conteúdos que deveria estudar. Além disso, na época, basicamente nossas referências eram os livros didáticos e as apostilas de cursinho.

Sem ter uma biblioteca pública disponível, encontrar o melhor livro didático para estudar era uma tarefa árdua que consumia tempo e dinheiro para encontrar o material mais adequado ao seu nível.

Hoje, por outro lado, com acesso mais facilitado à internet de banda larga e vídeos por demanda, como o YouTube, é possível encontrar e acompanhar conteúdos de qualidade, de forma gratuita, em plataformas que reúnem conteúdos de grandes universidades tanto aqui no Brasil como no mundo. Essa evolução permitiu que os estudantes ganhassem cada vez mais autonomia para escolher onde, quando e o que estudar.

Contudo, um problema continua sendo o mesmo: a dificuldade para selecionar os conteúdos para estudar. Parece ser contraditório, mas, ter muitas opções também gera muita angústia e dúvida, assim como quando não se tem muitas escolhas, como foi no meu caso.

Essa dificuldade pode ser notada nas perguntas que recebo por meio do espaço que mantenho no Quora como nas minhas redes sociais. Volta e meia recebo uma dúvida relacionada à “como organizar os estudos” ou “como manter uma rotina de estudos”.

Atualmente, para mim, essas duas perguntas parecem ser muito triviais de serem respondidas. Por isso, confesso que, quando escrevi o post “Como organizar os estudos?”, achei que havia tratado de maneira suficiente sobre o assunto e que não seria mais necessário voltar nele. Percebi com o tempo que estava enganada rs.

Talvez, para mim, que já consolidei um método de organização, e já errei o bastante para saber o que dá certo ou não nos meus estudos, não parece ser um assunto que precisa ser repetido tantas vezes. Porém, se eu me lembrar da época de estudante, principalmente, no período do Ensino Básico até a faculdade, sei o quanto era difícil fazer essa organização de uma maneira eficiente.

Por isso, já adianto: não existe um método único que funcione para todos. Cada pessoa é única, tem uma rotina pessoal e enfrenta contextos diferentes. E dependendo desse último ponto, ela pode ser favorecida tanto para aprender mais rápido quanto pode demorar um pouco mais. Para aprender, muitas vezes, é necessário vivenciar mais experiências para poder compreender um assunto.

Ah, as experiências…

Como eu já mostrei em posts anteriores deste blog, a diversificação dos conhecimentos prévios é um dos pontos cruciais para aprender de verdade. Por isso, por mais frustrante que seja, não é possível “pular” algumas etapas. E, sim, algumas pessoas aprenderão mais rápido, outras, um pouco mais devagar. Ainda há aquelas que optarão por não se importar em aprender este conteúdo em detrimento de outros. Enfim, o aprendizado também envolve escolhas, pois, afinal de contas, não conseguimos aprender tudo, a ponto de sermos especialistas em todos eles. Precisamos escolher “as nossas brigas” no tempo certo.

Mas, uma coisa é certa: se você quer e precisa aprender um conteúdo, é necessário manter uma rotina. Sem ela, não é possível prever se será capaz de aprendê-lo. E uma forma de “encurtar” esse caminho, é aprendendo com outras pessoas, que já testaram o bastante para compartilhar o que deu certo ou não. A outra seria você mesmo testar diversos métodos e organizações de estudo. É possível que, dentre essas tentativas, uma delas se torne compatível com a sua realidade.

Em função disso, no post passado, dei quatro passos gerais de como começar o ano bem nos estudos e referências de sites que podem servir de referência para certos tipos de conteúdo. Falei do recurso como Google Keep, que pode te ajudar a anotar os tópicos, o Método Cornell e os Mapas Conceituais para fazer anotações e revisões mais eficientes.

Porém, talvez ficou faltando um passo para mostrar como dividir os assuntos que você precisa estudar e como fazer um controle mais eficiente de prazos. Em razão disso, tentei trazer mais uma sugestão de ferramenta que pode te ajudar a ter uma visão panorâmica sobre o que você precisa estudar em quanto tempo. Para isso, ensino a usar o planejador de tarefas Trello.

O passo a passo de como usar o Trello, eu ensino no vídeo que estará disponível a partir das 21h no canal. Mas, trago aqui alguns materiais indicados e alguns resultados dos passos ensinados no tutorial.

Preparando a área de trabalho do Trello

Quando você cria uma conta no Trello, a primeira coisa que você vai acessar é essa área vazia:

Figura 1: Área de trabalho criada no Trello.

Dentro dessa área de trabalho, é necessário criar listas. E para ela ficar minimamente parecida com um calendário, eu sugiro que sejam criadas listas com os dias da semana e uma com as tarefas da semana.

Figura 2: Área de trabalho com as listas com os dias da semana.

Depois de fazer isso, é necessário criar os cartões, com as tarefas da semana, que precisam ser alocadas ao longo da sua semana. Para que o exemplo ficasse um pouco mais inteligível e, ao mesmo tempo, genérico o suficiente para a maioria das pessoas entenderem o processo, escolhi a matriz de referência da área de matemática usada no ENEM. Para complementar a explicação que farei a seguir, também acrescentei dois cartões da área de Linguagens e Códigos.

Figura 3: Área de trabalho com as tarefas do ENEM cadastradas.

Preparando os cartões do Trello

Quando você abrir um desses cartões de tarefas do Trello, que pode ser consultado no vídeo, vai se deparar com algo parecido com a figura 4.

Figura 4: Um exemplo de cartão criado no Trello.

A parte mais interessante desse cartão é acompanhar a progressão de um dos assuntos ou “objetos de conhecimento”, conforme a nomenclatura usada na matriz de referência do ENEM. Por exemplo, nesse cartão da figura 4, o objeto de conhecimento é “conhecimentos algébricos” que envolve os conteúdos de: gráficos e funções, funções algébricas do 1º e do 2º graus, polinomiais, racionais, exponenciais e logarítmicas, equações e inequações, relações no ciclo trigonométrico e funções trigonométricas.

Suponha que você tenha começado a estudar por esse objeto de conhecimento e tenha completado o conteúdo “gráficos e funções”. Ao clicar na caixa de seleção que fica ao lado dessa sentença, observará algo parecido com a figura 4:

Figura 5: Um exemplo de cartão com porcentagem de avanço da tarefa.

Veja que, dessa forma, posso prever a porcentagem que já foi completada de cada objeto de conhecimento do ENEM. E, assim, ter uma forma mais precisa e completa da quantidade de horas de estudo que serão necessárias para cobrir boa parte desses conteúdos.

Uma sugestão de distribuição da área de trabalho, por exemplo, com todas os eixos da matriz do ENEM poderia ser algo assim como na figura 6. A ideia nesta sugestão é ter uma alternância entre diferentes eixos, já que o próprio cérebro funciona e memoriza melhor os conteúdos quando fazemos um espaçamento entre o aprendizado e a revisão, como já apresentei neste post, evitando o efeito da curva de esquecimento.

Figura 6: Sugestão de distribuição da área de trabalho com todos os eixos do ENEM.

Outras funcionalidades úteis no Trello

  • Etiquetas

Logo acima de cada um desses cartões, você deve ter percebido que há uma listra colorida com uma respectiva estampa. Elas são as etiquetas que ajudam a classificar os seus cartões visualmente de uma maneira mais eficiente. Porém, os desenvolvedores do Trello, ainda tiveram o cuidado de pensarem nas pessoas daltônicas e criaram essas estampas para que não haja confusão. Algo que achei muito interessante em termos de acessibilidade.

Figura 7: Algumas etiquetas criadas no Trello.
  • Alarmes

Se você é uma pessoa que só funciona “sob pressão”, existe uma maneira de colocar um prazo para conclusão de cada um desses cartões, clicando no item “Datas” que fica na lista do seu lado direito. Será aberta uma janela como pode ser vista na figura 8.

Figura 8: Estabeleça prazos de conclusão para os seus cartões ou tarefas.
  • Automação

Existe ainda uma função de automação no Trello para tarefas que sempre possuem o mesmo formato. Ele chama-se “butler” (mordomo, em tradução livre). Se você vai criar sempre vários cartões com o mesmo formato na área de trabalho, é uma ferramenta bastante útil que vai poupar bastante o seu tempo. Mas, essa funcionalidade precisa ser explicada em um vídeo e post a parte, já que usa algumas regras de lógica um pouco mais complexas. A ideia deste post é ser uma introdução ao Trello.

Se você quiser que eu explique essa função de automação do Trello, curta este post! Se houver bastante curtidas, posso preparar um tutorial de como configurar tarefas automáticas no Trello.

Lembrando que o Trello é UMA das ferramentas possíveis de organização de estudos. Aqui no blog eu apresento outras ferramentas que podem ser utilizadas e adaptadas conforme a sua necessidade.

Espero que tenha gostado dessa dica com o Trello e me conte nos comentários se você conhece outras ferramentas úteis para organização e controle dos seus estudos.

Publicado por

Luzia Kikuchi

Uma entusiasta em neurociência, apaixonada por ensino-aprendizagem e uma eterna aprendiz de professora.

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