A história de Armação dos Búzios: uma cidade antiga dos tempos do descobrimento do Brasil

Publicado em 25/09/2020 por Luzia Kikuchi

Quando eu estava no Ensino Fundamental, aprender história e geografia era um tanto “surreal”. Por falta de experiência de vida, eu não conhecia tantos lugares e também não tinha oportunidade de viajar para tantos locais para conhecer o relevo, o clima e a história de uma região. Portanto, meus conhecimentos históricos e geográficos limitavam-se a uma memorização mecânica de informações de um livro didático para serem reproduzidos em uma avaliação e, com isso, garantir uma nota com o objetivo de obter a aprovação no final do ano. Os conteúdos pareciam vazios de significado, como se aquilo não fizesse parte do meu cotidiano.

Porém, depois de muitos anos, quando comecei a ter mais chances de viajar com frequência e conhecer lugares inimagináveis em minha infância, estudar e conhecer um pouco mais sobre a história e a geografia de um lugar passou a ser uma atividade essencial e muito agradável. A cada lugar novo que conheço, parece fazer mais sentido associar os eventos históricos e naturais. Dessa forma, tenho escolhido lugares não apenas para turistar, mas também para aprender um pouco sobre aquele local.

E neste post vou contar um pouco sobre uma cidade que conheci recentemente: Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro.

Armação dos Búzios, ou simplesmente Búzios, é uma cidade localizada na Região dos Lagos, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, a cerca de 165 km da capital fluminense. Juntamente com Cabo Frio e Arraial do Cabo, é um destino muito procurado pela beleza de suas praias. (Especialmente em Cabo Frio e Arraial do Cabo, a cor da areia e do mar se assemelham muito às praias do Caribe).

A história que vou contar a seguir é baseada nos relatos encontrados no site Rio de Janeiro Aqui.

Os navegadores portugueses parecem ter passado brevemente por essa região em 1502, mas foi só pelo século XVII e XVIII que ela foi ocupada de forma definitiva, com a expulsão definitiva dos corsários franceses que haviam tentado ocupar inicialmente a Baía de Guanabara ou a atual cidade do Rio de Janeiro.

Até a metade do século XIX, a principal atividade econômica de Búzios foi a pesca de baleias. Aparentemente, nesses tempos remotos, esses animais eram frequentemente vistos na região. Além disso, o nome “Armação” se deve a uma instalação feita na praia para pesca e extração da carne e óleo da baleia. Inclusive, o local onde os ossos dessas baleias eram depositados, após a extração da matéria-prima, chama-se Praia dos Ossos até hoje. Com o desaparecimento das baleias por essa região, os moradores da cidade passaram a viver da pesca.

Assim, até por volta de 1940, Búzios era apenas um pequeno vilarejo de pescadores, distribuídos principalmente na praia do Canto até a praia da Armação. Algumas casas construídas no século XVIII ainda podem ser vistas na Rua das Pedras, em frente a orla da praia da Armação. E no final desta rua, existe até hoje a igreja de Sant’Anna que foi erguida em 1740.

Porém, foi em 1964 que essa cidade foi revelada ao mundo, com a visita da atriz francesa Brigitte Bardot. Por ser um local desconhecido por muitos, e afastado da badalada capital fluminense, Brigitte pode passear tranquilamente sem ser importunada por fotógrafos a todo momento. Já em 1999, a cidade de Búzios decidiu homenageá-la construindo uma estátua de bronze localizada num trecho da praia da Armação que foi batizada com o nome de “Orla Bardot”.

Mas, antes mesmo da visita de Brigitte, na década de 50, essa orla já era frequentada por outra pessoa muito conhecida pelos brasileiros: o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK).

Assim como Brigitte, JK também recebeu sua homenagem pela cidade e em 2006 foi construída uma estátua em sua homenagem, que se localiza igualmente na Orla Bardot.

Segundo relatos, JK costumava se hospedar em uma pousada chamada “Solar do Peixe Vivo” que ficava logo atrás de onde está o monumento dele. A construção existe até hoje e foi tombada como patrimônio histórico da cidade, porém, em seu lugar, funcionou por um tempo o restaurante Sollar que passou a se chamar “do Jeito Buziano”, mas este também aparentemente não funciona mais aqui e o imóvel encontra-se desocupado.

O que eu notei é que a cidade tem um certo “apreço” por estátuas de bronze! Além de Brigitte e JK, existe também uma estátua que fica no meio do mar chamada “Três Pescadores”, em homenagem aos pescadores de Búzios. A obra foi encomendada pela prefeitura, patrocinada pela VISA e inaugurada no ano 2000. Quando a maré está baixa, é possível caminhar até a estátua. A obra é tão bem-feita e realística que, de longe, dá até para se confundir com pescadores trabalhando no meio da praia! rs 

Essa estátua também fica na Orla Bardot, em frente ao monumento de JK. Se você se posicionar no mesmo ângulo de visão do ex-presidente, dá até a impressão que ele está observando os três pescadores.

Com a revelação dessa cidade ao mundo, Búzios foi cada vez mais ocupada por estrangeiros e pessoas com grande poder aquisitivo que construíram mansões e casas de veraneio. É interessante notar que um dos principais estrangeiros que ocuparam o local foram os argentinos na década de 70, em busca de qualidade de vida*, e que até hoje podem ser notados com bastante frequência na população buziana.  

* Caso queira saber mais sobre esse aspecto, pode ler este artigo de Harguindeguy (2007).

Com a popularização do turismo na região, Búzios que fazia parte do município de Cabo Frio, até então, obteve a sua emancipação em 1996. E apesar de contar com uma população relativamente pequena de 30.000 habitantes, a cidade chega a receber 1 milhão e meio de turistas no ano, sendo considerado um dos destinos mais luxuosos da região dos Lagos. Porém, como fiz a visita em tempos de pandemia, a cidade está atualmente com o acesso autorizado apenas para moradores e hóspedes com reserva em hospedagem da cidade (isso significa que não é possível fazer uma visita de “bate-volta” das cidades vizinhas). Por conta disso, os preços nos dias úteis estavam bem acessíveis, levando em consideração que é uma cidade tipicamente turística. No entanto, nos finais de semana, os preços dos restaurantes à beira mar parecem ficar mais caros, devido ao aumento de movimentação de clientes que frequentam as praias.

Uma coisa bem peculiar que notei em Búzios é em relação à vegetação costeira. Em São Paulo e mais ao Sul do Brasil (que é onde tenho mais familiaridade), estamos acostumados a ver a vegetação de Mata Atlântica, que são árvores frondosas, altas e de mata bem fechada. Já em Búzios, em alguns trechos, é possível notar a vegetação de caatinga, que é mais comum em regiões semiáridas, mais afastadas do mar. Algo um pouco contra intuitivo do que costumamos aprender de forma geral em Geografia.

Observe a presença de cactos na costa na praia de João Fernandinho em Búzios.
Crédito da imagem: acervo pessoal.
Compare com a vegetação de Mata Atlântica na praia de Toninhas em Ubatuba.
Crédito da imagem: acervo pessoal.

Procurei a respeito do clima e vegetação dessa Região dos Lagos e encontrei um artigo publicado, em 2007, na Revista Tamoios da UERJ pela Heloísa Coe e outros autores. Nele é explicado que essa peculiaridade ecológica da região é devido a um fenômeno chamado ressurgência que resulta no resfriamento da temperatura superficial da água em determinadas épocas do ano, especialmente entre a primavera e o verão, tornando essa região mais seca do que o restante do litoral costeiro do Rio de Janeiro. 

Por conta também desse fenômeno, as águas da Região dos Lagos costumam ser mais geladas comparadas às outras praias do Rio. Além disso, diferente da capital fluminense e também do litoral de São Paulo que costuma ter um clima bastante quente e úmido, em Búzios, o vento seco ajuda a amenizar os dias de calor.

E qual seria a vantagem de saber sobre essas informações geográficas? Por ser uma região mais seca, a Região dos Lagos, que compreende – além de Búzios – os municípios de Cabo Frio, Arraial do Cabo, Iguaba, São Pedro da Aldeia e Araruama, é um lugar que chove muito pouco. Diferente do litoral norte de São Paulo, como Ubatuba, que costuma chover com bastante frequência. Isso significa que você poderá aproveitar melhor a praia em quase qualquer época do ano. A única desvantagem é que, conforme explicado pelo fenômeno das ressurgências, as águas são mais frias. Como não sou geógrafa, limito-me a explicar de forma bem superficial sobre tais fenômenos e ocorrências ecológicas dessa região. Mas, se vocês quiserem saber mais a respeito, podem ler o artigo da Heloísa Coe e outros, citado anteriormente.

Ficou curioso ou curiosa para conhecer Armação dos Búzios? A seguir estão algumas dicas de como chegar e aproveitar melhor a cidade.

Como chegar em Búzios?

*Há duas formas principais para chegar em Búzios: via terrestre (carro ou ônibus) ou via aérea. O mais comum é a via terrestre. Porém, na situação atual de pandemia, a única opção para chegar em Búzios é de carro, já que a entrada na cidade está sendo controlada e permitida apenas para moradores e hóspedes com reserva. Por isso, entrada de ônibus e excursões de um dia estão proibidas no momento. Para quem é hóspede, no momento da reserva, é gerado um QR Code para ser apresentado aos guardas que controlam o acesso na entrada da cidade. Este código só tem validade de 24 horas, sendo necessário a emissão de um novo se precisar sair e voltar nos dias seguintes.

*Lembrando que essas informações podem mudar a qualquer momento, já que a situação da pandemia está constantemente em atualização.

A opção de via aérea já é um pouco mais recente e, por enquanto, limitada para duas cidades: de São Paulo, pelo aeroporto de Guarulhos (GRU), e de Belo Horizonte, pelo aeroporto de Confins (CNF), respectivamente atendida pelas companhias aéreas Gol e Azul. O aeroporto fica na cidade vizinha, em Cabo Frio (cerca de 30 km de Búzios). Por conta da pandemia, os voos foram suspensos e sem uma data prevista para retorno. Porém, segundo informação de um jornal local, voos partindo de Guarulhos seriam retomados a partir de 04/09/2020, para aquelas que quiseram aproveitar o feriado do dia 07 de Setembro. O preço para ida e volta estimado para essa data foi de R$ 277,65, mas é possível que o preço médio varie, depois que a situação se normalizar. Não consegui localizar voos futuros nem pelo site da empresa e nem pelo Google Flights para ter uma noção dos preços.

Normalmente, costumo viajar de transporte público, mas para manter as medidas de prevenção de isolamento social e por conta da limitação de entrada na cidade de Búzios, optamos por sair de São Paulo (capital) direto de carro, com parada na cidade do Rio de Janeiro somente para abastecimento de combustível e pegar um lanche para continuar viagem. A distância total foi de 628 km.

A hospedagem foi feita pelo Airbnb, em um apartamento localizado em frente à praia da Armação que fica a 2 km do centrinho comercial de Búzios.

Como é andar de carro na cidade do Rio de Janeiro?

Para quem é de fora do Rio, sempre há um receio de andar de carro por conta dos frequentes relatos de violência nos noticiários. Nosso trajeto foi feito seguido toda Rodovia Presidente Dutra, entrando na cidade pela Avenida Brasil para chegar até a Avenida Presidente Vargas, em frente à estação Central do Brasil, onde abastecemos o carro.

A duração média de uma viagem da capital paulista até a capital fluminense, é de 6h e meia. Porém, por conta de um acidente na Serra das Araras (continuação da via Dutra onde começa a serra para chegar na baixada fluminense), levamos 4 horas a mais do previsto e acabamos levando um pouco mais de 10 horas para chegar até o posto.

O que percebemos é que a Avenida Brasil, pelo menos fora do horário de pico, aproximadamente às 15 h, é bem movimentada e não tem congestionamento. Na volta, viemos pela Linha Vermelha (Via Expressa Presidente João Goulart), passando por volta das 11h da manhã e também não havia trânsito e o fluxo era bem movimentado.

Segundo relatos, tanto a Avenida Brasil quanto a Linha Vermelha são bastante conhecidas pelos assaltos do tipo “arrastões” nos horários de congestionamento e de abordagens à mão armada, no horário de pouco fluxo. Novamente, eu não moro no Rio, então não sei o quanto esse tipo de incidente é frequente, mas é bom ter cautela como em qualquer outra cidade grande urbana. Na nossa experiência, a viagem foi bem tranquila. Mas o fato de termos passado pelas vias por volta das 15h e 11h da manhã, respectivamente, pode ser uma dica para quem pretende seguir viagem.

Uma coisa que é realmente inconveniente para andar de carro na cidade do Rio de Janeiro é o estacionamento. Eles são escassos e caríssimos, chegando a custar R$ 14,00 a hora com acréscimo de R$ 8,00, sucessivamente, por hora adicional. Uma diária pode custar facilmente em torno de R$ 50,00. Por isso, se puder, prefira ir de transporte público para economizar.

Depois de sair da cidade do Rio de Janeiro, para seguir viagem à Búzios, é necessário pegar a ponte Rio-Niterói. Não recomendo pegá-la no horário de pico como pegamos (entre 18h e 20h – sentido Niterói), pois é quando muitos que trabalham na capital e moram fora da cidade estão retornando.

Passando a ponte Rio-Niterói, basta seguir a BR-101 (conhecida popularmente como Rio-Vitória) até a altura de Rio Bonito para depois pegar a Via Lagos ou RJ-124 até Búzios. O percurso durou 4h desde a saída do posto onde abastecemos o carro no centro do Rio, por conta do congestionamento na ponte Rio Niterói. Porém, na volta, levamos por volta de 3h, com trânsito tranquilo.

As rodovias que passamos, em geral, são bem conservadas, duplicadas e iluminadas em boa parte dos trechos, principalmente nas áreas que cruzam cidades. Somente quando já está próxima da entrada de Búzios, na RJ-106 (Rodovia Ernani do Amaral Peixoto), que a estrada vira uma pista simples (uma para cada sentido) e a noite fica bem escura para transitar, pois não tem iluminação pública. Em alguns trechos, inclusive, não havia faixas de divisão das vias. Porém, como reparei que estavam em obras, é possível que tenha sido apagado após o recapeamento da pista e ainda não haviam pintado. Durante o dia essa via é bem tranquila, mas se for transitar a noite, redobre a atenção.

O que fazer em Búzios?

Depois que chegar em Búzios, boa parte das atrações principais podem ser feitas a pé, principalmente, se você se hospedar perto do centrinho da cidade na Rua das Pedras. Lá você pode encontrar lojas de roupa, mercadinhos, lembrancinhas, restaurantes, cafés e drogarias. Nesse centrinho passamos apenas em dois lugares: no Big Dogs, que servem cachorros-quentes com combinações de ingredientes mais usados na Argentina, como o chimmichurri, e ficam deliciosos. E o Maria Maria Café, que é uma cafeteria de frente para a praia do Canto, bem simpática, que tem uma boa variedade de café, quentes e gelados, doces e tortas salgadas. Há também um curso de barista para quem tiver interesse.

Dizem que Búzios, comparada a outras praias da Região dos Lagos, possui hospedagens mais caras em alta temporada. No nosso caso, como a cidade estava com entrada limitada de visitantes, encontramos um preço bem acessível para uma hospedagem em frente à praia, com uma diária de R$ 250 para duas pessoas. Não estava incluso o café da manhã, mas como o quarto já vinha equipado com cozinha e geladeira, foi possível comprar algumas coisas do mercado, o que ajuda a economizar também. Sem contar que era possível tomar café na varanda olhando para o mar!

Vista do entardecer da varanda onde ficamos hospedados.
Crédito da imagem: acervo pessoal.

Minha sugestão de passeio, depois de andar pelo centrinho de Búzios, é seguir a Rua das Pedras* no sentido da Orla Bardot, na Praia da Armação, que é onde se encontram as três estátuas que citei anteriormente: da Brigitte, do JK, respectivamente, e dos Três Pescadores quando você olha para o mar a partir da estátua do JK.

* A Rua das Pedras muda de nome no sentido Orla Bardot quando você vir no mapa. Ela chama-se Av. José Bento Ribeiro Dantas. Porém, para perguntar aos locais, dificilmente eles saberão por esse nome. Mais fácil falar da Rua das Pedras, quando estiver no centrinho e Orla Bardot, se estiver no outro sentido.

Nessa rua também existem vários restaurantes mais charmosos como o Madame Bardot, com mesas à beira mar. Seguindo ainda a orla, já perto do final dela, há uma hamburgueria chamada Porto Brew que serve sanduíches e cerveja artesanal. Comi duas vezes lá e vale a pena o custo benefício. Um sanduíche, acompanhado de uma pequena porção (batata frita, doce ou anéis de cebola) com um molho a sua escolha sai R$ 25. Um chopp custa em média de R$ 12 a R$ 15. Já no happy hour (nessa época era das 17h às 19h) dois chopps saiam por R$ 15.

Se você olhar para o mar, na altura do Porto Brew, há um cais escrito Porto Veleiro, que também tem um restaurante. Provavelmente, é daqui que saem os passeios guiados de barco para outras praias da região, mas como a prefeitura não liberou esse serviço, por conta da pandemia, apenas o restaurante estava funcionando. Pedimos um prato executivo que estava R$ 25 por pessoa que acompanha arroz, pirão e salada. Estava delicioso e o prato é bem servido! O diferencial deste lugar é almoçar no cais à beira mar. O único inconveniente é que venta muito e seus guardanapos e chapéus podem voar se você não se cuidar.

Bom, continuando no sentido que você estava vindo do centro, vai se deparar com uma bifurcação: se seguir à esquerda, chegará na Igreja de Sant’anna (construção de 1740). Há um portão na entrada, mas ele é aberto aos visitantes. A igreja estava fechada quando passei por lá, mas você pode aproveitar o caminho para sair do outro lado e chegar na Praia dos Ossos. A orla dela é bem pequena, mas, daqui é possível também pegar barco táxi para chegar a algumas praias principais de Búzios. Inclusive você pode ir até o centrinho de barco a partir daqui, se não quiser caminhar os 2 km de orla. A passagem custa em torno de R$ 10. 

E, se continuar andando na orla dela até o fim, terá uma rua íngreme que dá acesso à praia Azeda e Azedinha. Para acessar a primeira, você deve seguir essa ladeira até o fim quando encontrará uma viela que dá acesso a uma escada de madeira do lado esquerdo. Descendo-a você chegará na praia Azeda. Se continuar andando pela orla, no canto, próxima à costa, encontrará a praia Azedinha. Essa praia também é bem pequena, mas tem as ondas mais calmas e adequada para crianças e também para prática de snorkel (mergulho em águas rasas).

Agora, se naquela bifurcação anterior, decidir seguir à direita, é possível encontrar vários restaurantes, cafés e lojinhas com um preço mais em conta do que no centrinho. Então, se quiser economizar um pouquinho, vale a pena procurar nessa região. Eu recomendo o Café Nina para tomar um café e comer variados tipos de bolos e tortas ou o Sukao Bar onde há muitas variedades de suco natural.

E se você continuar em frente nessa rua, vai passar um pequeno lago chamado Lagoa dos Ossos e mais à frente, perto do cruzamento com uma rua principal, do lado direito, nos finais de semana, há passeios de bugs sendo oferecido a um preço de R$ 50 por pessoa. Também existe um estacionamento* com preço único de R$ 20 a diária.

*Lembrando que em Búzios, estacionar na rua, principalmente onde as guias estão pintadas de azul, exigem a utilização do tíquete zona azul. E você precisa pagar no momento da chegada. Nós vimos vários carros sendo multados porque as pessoas estavam esquecendo de fazer isso. Para mais informações clique aqui.

Chegando nesse cruzamento, se você seguir à esquerda, até o fim da rua, vai chegar na praia João Fernandes. Lá tem vários restaurantes e barzinhos à beira mar. Porém, como passamos lá no final de semana, o preço já estava mais “salgado”. Uma porção ou prato custava em torno de R$ 70,00 por pessoa e uma água custava R$ 8,00. Não sei se eles mudam o preço durante a semana, como em alguns restaurantes que vi na Orla Bardot.

A praia João Fernandes é bonita, mas o mar é bastante agitado. Então, se quiser águas mais tranquilas vá para a praia ao lado chamada João Fernandinho. Para chegar lá, se a maré estiver baixa, você pode caminhar toda orla da João Fernandes e atravessar umas pedras. Mas, o recomendado é ir pela rua paralela à orla até chegar em uma escadaria bem pavimentada de concreto.

João Fernandinho é uma praia mais reservada e existe um pequeno bar e restaurante que, no horário que chegamos, ainda estava fechado. As águas são praticamente sem onda, então é melhor para levar crianças, mas esteja alerta, pois ela afunda um pouco conforme avança para o mar.

Existem outras praias como a Tartaruga, Ferradura, Ferradurinha, Forno e Manguinhos. Mas, não tivemos tempo de passar por todas elas.

Acho que as imagens falam por si só. Então, se você quiser conhecer um pouco de Búzios, assista ao vídeo que produzi que mostra apenas imagens de alguns lugares que passamos por lá.

Se você ficou com alguma dúvida ou queira contribuir com alguma informação que não citei neste post, fique à vontade para deixar nos comentários!

Como diferenciar mapas mentais de mapas conceituais?

Publicado em 04/09/2020 por Luzia Kikuchi

Ao procurar sobre algumas técnicas de estudo, talvez você já tenha se deparado com os mapas mentais. Ela é uma técnica criada por Tony Buzan, em 1970, que combinam imagens e palavras que vão se ramificando a partir de um conceito principal, para ajudar na compreensão de um conteúdo.

Exemplo da estrutura de um mapa mental (este não usa imagens).
Crédito da imagem: Designed by Freepik

Mas, tem outros que já usam mais cores e figuras (sinceramente, muito bonitas de ser ver) como esta aqui:

Exemplo de um mapa mental sobre conflitos.
Crédito da imagem: Designed by Freepik

E como os mapas mentais podem ajudar no desenvolvimento da aprendizagem?

Segundo um estudo publicado em 2019 por Nuñez Lira, associado a outros pesquisadores do Peru, a principal vantagem dos mapas mentais é estimular diferentes partes funcionais do cérebro, já que cada tipo de código (imagem, palavra, cor, etc.) é estimulado e coordenado por partes específicas do cérebro. Dessa forma, os mapas mentais tornam-se uma ferramenta para estimular esse órgão, permitindo que a sua aprendizagem possa ser estimulada por diferentes codificações de uma mesma informação.

Porém, ele tem uma pequena desvantagem. Pelo fato de ter uma organização mais holística do pensamento, ou seja, quem elabora o mapa não tem a preocupação de tornar esse mapa diretamente compreensível por outra pessoa, pode ter uma limitação em relação à profundidade no significado de cada assunto. Ele é um ótimo recurso para resumir assuntos muito complexos, para ter uma ideia geral e assim focar no que é mais prioritário.

Isso significa também que você pode ser até capaz de entender muitos assuntos associados a um determinado conceito, mas conhece superficialmente cada uma delas. E é nesse quesito que os mapas conceituais ajudam a complementar nesse “déficit” dos mapas mentais.

O que são os mapas conceituais?

Os mapas conceituais, ferramenta criada por Joseph Novak no início da década de 70, possuem uma base de teoria cognitiva de David Ausubel ou a Aprendizagem Significativa. Diferente de Buzan que estava preocupado em unir as ferramentas que estimulem o aprendizado, sem se apoiar necessariamente em uma referência teórica, Novak criou os mapas conceituais como uma ferramenta que ajuda a organizar e compreender a relação entre conceitos, como pressuposto pela Aprendizagem Significativa de Ausubel. Então, podemos dizer que os mapas conceituais estão mais focados no estudo aprofundado de um conteúdo em si, enquanto os mapas mentais em potencializar a sua capacidade de memória e aprendizado.

Além disso, Novak também criou os mapas conceituais para ser uma ferramenta útil de avaliação da aprendizagem, de forma sistemática. Por meio dos mapas conceituais, é possível analisar os diferentes progressos de um estudante, conforme a complexidade de relações entre conceitos que ele consegue realizar. Para uma compreensão mais aprofundada sobre o assunto, leia este estudo.

Por essas características que acabei de descrever, já deu para perceber que mapas mentais e mapas conceituais não são a mesma coisa, certo? Também existem outras técnicas menos conhecidas e similares a essas que é explicado nesse artigo de 2006 de Martin Eppler. Nesse texto fica bem mais fácil compreender as principais diferenças de cada um deles e suas vantagens e desvantagens.

No vídeo dei algumas dicas extras sobre como aprimorar a elaboração de mapas mentais e mapas conceituais.

Conte nos comentários se você sabia dessas diferenças entre os mapas mentais e conceituais e qual técnica você já utilizou.